terça-feira, outubro 17, 2006

MONANGAMBA

Naquela roca grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações;

Naquela roca grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.

Negro da cor do contratado!

Perguntem as aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? quem vai a tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipoia ou o cacho de dendém?

Quem capina e em paga recebe desdem
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
- Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar
maquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?
- Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertãoresponderão:

- "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir ás palmeiras
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído nas minhas bebedeiras

- "Monangambéé...'"

António Jacinto, poeta angolano.

Poema editado pela primeira vez em 1961, quando Angola ainda era uma colônia portuguesa.
A Independência ocorreu somente em 1975, após uma guerra de libertação.
Em seguida, o país entrou em guerra civil, que terminou apenas em 2002.
Muito sangue neste café...

Alguém aceita um expresso?

segunda-feira, outubro 16, 2006

Fiorentina, Fiorentina, Fiorentina de Jesus

Outro dia eu escrevi que o Norton é o pior vírus do computador.
Mas o Márcio hoje ganhou de mim: chegou à conclusão de que o Windows é o pior vírus do computador!!!

sexta-feira, outubro 13, 2006

Super Timor!!

O bom de blog é que a gente não precisa ficar preso a uma estética, a um conceito, a uma definição. A gente pode escrever como nos der na telha. Podemos um dia falar sério, no outro dia... ah, fala sério! que tudo bem...
Então, hoje eu presto homenagem ao Super Timor!!
Para quem não viu, não sabe o que está perdendo!
A Clarice me apresentou o Super Timor e desde então faço parte da comunidade Super Timor no orkut. É... tem até comunidade!!
Se você gostar, participe... ah, mas quem não vai gostar deste balanço?

http://www.hibou.qc.ca/supertimor/timor.html
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3205512

Letra completa!!!
SUPER TIMOR
Côte d`Ivoire - 1986

«(Bzzzzzzzzz)Ne tuez plus les moustiques avec
Des claques sur vos joues (aye),
Des claques sur vos cuisses (ouille ouille ouille),
Des claques sur vos bras (aye)…(Drrrrrrr)
Super Timor est la…
“Super Timor, est encore plus fort
Avec sa nouvelle formule (Super Timor)…
Le temps de sentir l´odeur Super Timor (pchhhhh, pchhhh),
Les insectes sont dejá morts (Super Timor)!”
Super Timor avec sa nouvelle formulle,
Timor 21Vraiment, vraiment plus fort !
(Super Timor, Super Timor)
Le numéro 1 !»

quarta-feira, outubro 11, 2006

Auuuuuuuuuuuuuu

Era uma vez um cachorro muito safado.
Tão safado que nem se dava conta da sua safadeza.
Porque naquele mundo dele, todo mimado e cheio de carinhos, não havia outra referência de vida, a não ser a de ser safado.
Um dia caiu um gatinho de cima do telhado, não sei como. Quase acontece uma desgraça. Cheguei da rua e logo vi que alguma coisa não estava bem. O Cachorrão estava estressado, com a língua de fora, não parava de andar. Quando vi, um gatinho, encurralado em cima da casinha do Cachorrão.
Ara, que sem vergonha! E por acaso um filhote fofinho é ameaça de alguém??
Mas não é a única safadeza de um cachorrão...
Ele já roubou sanduíche, pedaço de pizza, um pote de manteiga, quando ainda filhote comeu um sabão de coco.
Desta vez, todo mundo ficou preocupado, porque a diarréia não parava. Ele tinha tomado banho, só depois que me dei conta que o sabão tinha sumido.
Aí a gente percebeu o que tinha acontecido: ele tinha filado o sabão inteiro, quase novo.
Ah... safado, viu!!
Ele além de ser safado, é um cachorro entalado.
Isso mesmo... Toda vez que chove ele inventa de entrar em lugares que não cabe. Aí já viu... cachorro entalado.
E não gosta de tirar foto... a gente para tirar foto dele tem que disfarçar a câmera, porque senão ele só faz cara de coitado.

domingo, outubro 08, 2006

Linda garota de Berlim

Ontem eu estive passeando e refletindo acerca das belas palavras que nos rodeiam.
Passei por exemplo na estação Carandiru. Que linda palavra, Carandiru. Palavra que está amaldiçoada a ser feia. O que será que a bruxa que a enfeitiçou estipulou como quebra de feitiço? Enquanto isso, segue a linda palavra feia a esperar. Conto de fadas que espera a se realizar.
À noite comprei duas gérberas. Que linda palavra gérbera. Entrou na minha casa rosa e vermelha.
Tão linda quanto a palavra luz. Tão linda quanto à palavra terracota. Terracota é o nome da cor da luz do meu quarto.
Estou rodeada de palavras lindas. Elas me enfeitam o tempo todo. Me embevecem.
Um dia minha amiga Simone me falou que ela achava que eu ia andando na rua olhando por todos os lados e admirando tudo o que eu via. Simone tinha razão, tem ainda, Simone sempre terá razão sobre mim. Ela me conhece bem.
Que linda palavra Simone.
Que lindas palavras paineira, pitanga, romã, que doces palavras sargeta, caldo, deglutido. Cílios. Camarada. Língua. Certeza.
Eu fico toda confortável em meio a tantas palavras que me agradam.
Tão confortável que sinto sono.
Vou dormir as palavras. Sssssssssssssssssssss.
Apague a luz.
Terracota.

sábado, outubro 07, 2006

Lindos versos de amor

"O mais polêmico compositor do país chama de "atrasados" os brasileiros que sonham em ser americanos. Caetano Veloso solta o verbo na semana em que lança, pela primeira vez na vida, um disco que só traz músicas suas. Nada de outros compositores. A língua afiada de Caetano não poupa nem o próprio Caetano".

Eu não sou muito de assistir Fantástico. Mas passou um programa muito interessante de Regina Casé sobre Angola e Moçambique, e fiquei assistindo o Fantástico esperando a vez. Por um acaso eu acabei vendo uma entrevista com Caetano Veloso. Este é um cantor que admiro muito, gosto muito de suas composições, de sua voz. Com as opiniões e pessoa já não tenho tanta afinidade. Mas o que ele falou sobre os brasileiros que sonham em ser americanos (e também europeus, diga-se de passagem) eu achei ótimo. Porque acho isso mesmo, o Brasil tem tanto talento que nem se dá conta.
Detesto quando alguém ou alguma entidade trata o brasileiro como brega. Trata o baiano como tosco. Desdenha o artesanato caipira. Desdenha as coisas da própria terra.
Quando estive em Salvador, a trabalho, tive a oportunidade de conversar com um vendedor de colar. Ele me disse que só turista que comprava as suas criações, que baiano mesmo não queria saber.
No mesmo dia vi uma reportagem na televisão (acho que estava perto do dia dos namorados ou coisa assim) um monte de gente procurando colares de ouro e diamantes para comprar. Que tinha inclusive colares importados em promoção, por volta de R$300. Fiquei estupefata. Como valorizar tanto os degsiners de fora e desconsiderar um belíssimo colar de sementes coloridas? Colar cuja beleza inclui a criatividade do criador? Como justificar que um colar que custe R$ 30 as pessoas podem achar até caro e sem nem pestanejar estão gastando R$300 em prestação?
Não dá para entender.
Brasileiro é muito criativo, muito espontâneo, muito amigo, muito flexível. São qualidades de ouro. Se a indústria brasileira tem chance, põe o mundo no bolso.
Dá gosto de ver quando vejo uma loja chique vendendo fuchico. Biojóias se destacando. Notícias de artesanato brasileiro em exportação, de vento em popa. Bonecas de pano na moda.
Brasileiro tem que ser assim: brasileiro.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Vão cantando na rua

Amor e lágrimas

Ouve o mar que soluça na solidão
Ouve, amor, o mar que soluça
Na mais triste solidão
E ouve, amor, os ventos que voltam
Dos espaços que ninguém sabe
Sobre as ondas se debruçam
E soluçam de paixão
E ouve, amor, no fundo da noite
Como as árvores ao vento
Num lamento se debruçam
E soluçam para o chão

Vinícius de Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/

quarta-feira, outubro 04, 2006

E as pastorinhas, para consolo da lua


Outro dia estava comentando não sei o que com um amigo meu, dentro do elevador, com o Márcio ao lado, aí eu fui falar que eu tinha ficado com o cabelo em pé por algum motivo, me confundi e disse: "Fiquei com a orelha em pé!"

terça-feira, outubro 03, 2006

E a lua anda tonta com tanto esplendor

No último post eu falei de riqueza.
Hoje vou falar de miséria.
Não vou me estender na miséria humana, porque nós seres humanos somos muito miseráveis, em todos os lugares, em todos os povos, em todas as línguas. Sempre há alguém querendo dar uma de espertinho, querendo prejudicar o planeta, cheio de insensibilidade para com as pessoas e com o mundo. Vive-se uma vida cada um por si.
Quero falar, sim, sobre miséria. Porque ela existe, está muito próxima de nós. Está espalhada por tudo quanto é canto. E não é relativa: ou se é miserável, ou não é.
Miséria é quando a pessoa acorda sem saber se vai sobreviver aquele dia. Está completamente desamparada pela sociedade. Passa fome constantemente. Pode perder até noção da própria lucidez. Pode sentir dores, doenças, morrer de causas ínfimas. Sujeita-se a condições indignas. Não tem nenhuma chance de se estruturar de alguma maneira, porque tudo lhe é difícil, inacessível. Miséria é muito diferente de pobreza. Na miséria as possibilidades são mais reduzidas.
Acho engraçado o termo vagabundo de rua. Quem o utiliza só pode estar ignorando por completo a situação que envolve os desabrigados, principalmente os alcoólicos.
Há quem se ache superior a estas pessoas, e nem cogitam: se estivessem na situação deles agiriam de maneira?
Fácil fingir que no mundo não há dores, não há problemas. E se podemos fazer alguma coisa?
Sim.
Fácil.
Outro dia eu tive notícias do Antônio.
Ele é mendigo há anos na rua da mãe do Márcio.
Sempre se ofereceu comida, alguma roupa, uma conversa. Sempre se conheceu a sua estória.
Bêbado na maioria das vezes, lúcido um pouco do tempo, tinha vindo do interior, onde tinha deixado família. Não queria voltar para casa.
Outro dia, as notícias foram muito boas. Antônio estava "limpo". Já contava os dias sem embriaguez.
A igreja ali perto arrecada materiais recicláveis. Eu sempre separo os recicláveis do lixo e levo lá. Um pouco de tudo: papel, plástico, vidro. Embalagens na maioria das vezes. Em uma semana a gente junta tanta coisa que se não dá tempo de levar para a igreja faz uma bagunça. Mas tudo bem. São coisas da vida. O importante é que a gente continua cooperando.
Esta igreja conta com trabalhadores de bem. São ex-moradores de rua. Pessoas que antes tinham esquecido o que era ser tratado com respeito. Um senhor me disse que ficou emocionado na primeira vez que foi tratado por senhor. Que se sentiu gente de novo.
Pois é. Antônio chegou a esta igreja. Eles o enviaram a uma clínica de recuperação. Hoje trabalha no projeto. Tem uma vida, tem dignidade. Encara o vício como doença, o que realmente é.
Sei que infelizmente esses trabalhadores que carregam carroças o dia todo e fazem um grande bem à sociedade (porque fazem um serviço muito importante para o meio-ambiente e limpam as ruas) sofrem um tremendo preconceito. Infelizmente. Mas fazer o quê? O ser humano é miserável. Nem sempre tem competência para avaliar o certo e o errado.
Enfim, fiquei muito satisfeita por este meu trabalho de reciclagem aqui em casa. Senti até orgulho de minha família que me ajuda nesta tarefa. Senti-me feliz por saber dos resultados.
A gente não consegue consertar o mundo. Não dá. Muita coisa não tem nem conserto, infelizmente. Mas isso não quer dizer que a gente não precise fazer absolutamente nada. No mínimo, podemos manter a nossa cabeça aberta e não desrespeitar aquele que sofre.

sábado, setembro 30, 2006

A estrela d´alva no céu desponta

Riqueza é outro fator relativo do mundo.
Existe aquela riqueza que não existe. Aquela que não está no mundo real. Está no coração. Rico é aquele que tem amigos. Que tem a quem estimar e que o estime. Que tem sonhos.
Existe outra riqueza fora de proporções. A dos multimilionários. Riqueza que também não existe, porque são números que nunca se tornam realidade. São manipulação de idéias que constroem ou destroem coisas do mundo.
Por isso se vê que riqueza não é um conceito maléfico em si. Existem por exemplo multimilionários maléficos ao mundo. Acionistas que ficam satisfeitos com demissões em massa. Que investem em armamento. Que investem em força bélica. Que devastam florestas. Que até usam o progresso como desculpa de destruição do mundo, mas que no fim não passam de uns ratos imperialistas.
Desde os romanos e até bem antes deles persiste este tipo de delírio nos homens: o do imperialismo. O poder desmedido é uma alucinação.
Mas isso já é uma outra história.
Riqueza, veja só, é apenas uma combinação de estar satisfeito com o que se tem com o ambiente em que se vive.
Eu tenho 34 anos. Em comparação a uma outra mulher de minha idade com maior poder aquisitivo em moeda mais forte, eu sou pobre. Se vem uma mulher da Europa para cá com 100 mil euros no bolso, ela chega com 300 mil reais. Pode comprar uma casinha, montar um negócio. Tem muitas possibilidades. Lá no seu país ela não tem tantas perspectivas assim, tem até muito menos que muita gente.
Mas se eu me comparar com uma mulher da África, eu em relação a ela sou rica: ela com 35 anos já tem ao menos 7 filhos e tem como expectativa de vida mais uns 10 anos somente. Eu com 35 tô começando.
Para ficar feliz ou triste com relação ao que a gente tem, dá para arranjar jeito de ser um afortunado ou um desgraçado. É só observar o que existe pelos 4 cantos do mundo e escolher.
A gente é o que a gente come, não tenha dúvidas. E "não só de pão o homem viverá".

Comida
Titãs

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida
A gente comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte (hum)
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer (comer é bom)
Bebida é águaComida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida
A gente comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer
A gente não quer só comer
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade
Desejo,Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Pinga nimim

O NORTON É O PRÓPRIO VÍRUS!!!!!

Eu já tinha tido problemas com o Norton Antivírus no passado, como por exemplo ele travava o meu micro, dava erro, fechava janelas que eu tinha aberto, impedia o acesso a algumas páginas na internet... um problemão.
Nesta semana eu estava tentando acessar internet e não conseguia. Simplesmente não funcionava.
Até que descobri que era o Norton que tinha ressurgido e impedido uma "invasão" da minha própria tentativa de acesso.

terça-feira, setembro 26, 2006

Vou ficar com certeza maluco beleza!

As grandes decisões que a gente tem que tomar na vida por vezes são decisões simples.
Dizer não.
Priorizar a si mesmo. Priorizar a família (cuidar da família, mas também cuidar de si).
Fazer isso e não aquilo.
Parar de se preocupar tanto.
Fazer ginástica.
Treinar.
Respirar.
Sorrir.
Sorrir muito durante o dia, decidir não se deixar levar pelo que pensa o mundo ou como pensa o mundo.
Dizer o que é certo ou calar o que é certo.
.

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Acho que a gente tem que fazer um exercício constante de mudar. Não deixar no piloto automático a maneira de decidir a vida. Optar por uma atitude nova é uma maneira de a gente ir se desfazendo do que nos pesa no peito.
Ser responsável tem várias maneiras de o ser. Ser atuante tem várias maneiras de o ser. Não existe uma via única nesta estrada. A gente pode reagir com um grito, com um suspiro.
Força e coragem. Tem uma pessoa que me falou isso há uns dois meses: que a gente precisa força e coragem para tomar novas atitudes.
Vou me decidir a isto, hoje.
Por hoje, não vou ficar pensando nas coisas que não deu tempo de fazer.
Vou agradecer a mim mesma o dia que se apresentou para mim, vou agradecer a mim mesma tudo o que eu fiz.
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Muito auto-ajuda?? Sei lá... tô tentando ser uma pessoa diferente. Fico pensando que o que vale na minha cultura não é regra para outras culturas. Não é regra para a cultura da casa ao lado. No meu país, quero que se vivam mais as coisas boas, que se valorize o lado bom da minha cultura e que o lado ruim se modifique. Quero a casa mais colorida, com as minhas cores. Com as nuances que eu gosto. Trabalho constante: ter identidade é ser um ser em transformação. Ser é processual. Não há ponto final. Se eu fico todo dia fazendo a mesma coisa da mesma maneira, então não estou sendo nada.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Ask me, ask me, ask me

Ontem eu falei de um marco musical nacional para mim, na época de escola. Hoje falo dos The Smiths, cujo disco vinil eu tocava o dia todo. The World Won't Listen foi um disco que ganhei de amigo secreto, da Amanda, e logo virou o meu favorito. Eu o tenho até hoje, falando nisso.
Sempre achei o som deste grupo muito original. O problema de ser tão original e tão caracterizado é que se não se estiver prestando muito atenção, podemos confundir uma música com outra, de tão parecidas, hihihihihi.
Olha só o que encontrei na Wikipédia, achei interessante:
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"The Smiths é o nome de uma banda inglesa, surgida na cidade de Manchester e bastante popular na década de 1980. (...) O nome é uma curiosidade: Smith é o sobrenome mais popular na Inglaterra (equivale ao Silva, em português). O objetivo era mostrar que a banda era formada de pessoas comuns."

domingo, setembro 24, 2006

Ideologia... eu quero uma pra viver...

Nesta semana recebi um convite para um encontro de ex-alunos do colegial. Inevitável foi ficar pensando na trilha sonora desta fase da minha vida. Inevitável foi lembrar o quanto eu gostava e o quanto gosto ainda de Cazuza.
Acompanhei todas as facetas deste cantor: quando lançou o clipe de Bete Balanço, quando foi seguir carreira solo, quando assumiu ter Aids, quando esteve em um show todo vestido de branco, magrinho e de lenço na cabeça. Eu tinha uma fita cassete azul, não sei nem onde foi parar (risos).
Um dia ainda vou pegar as letras de suas músicas e escrever um texto sobre sua poética. Admiro muito suas palavras.
O site www.cazuza.com.br não só oferece muitas informações sobre sua vida e sua obra, como também detalha o projeto VivaCazuza, que sem dúvida merece admiração de qualquer pessoa.
É bom saber que tudo o que ele passou não foi em vão. Suas músicas perduram, sua vida também.
Para quem não assistiu o filme, até recomendo. Duas horas é pouco para tanto a ser falado, mas algumas cenas são muito boas. Bom, sou suspeita para falar, adorei a trilha sonora...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Tudo muda o tempo todo no mundo...

Se tem algo que eu tenho certeza nesta vida é de que o mundo dá muitas voltas.
A gente só se surpreende o tempo todo como as situações mudam, os papéis se invertem, as pessoas mudam de opinião.
Ainda bem.
Porque senão as pessoas que estão por aí querendo dar uma de boazudas nunca seriam desmascaradas. Porque senão quem foi injustiçado nunca poderia um dia lavar a má fama. Porque senão a gente nem precisaria ter esperança de nada. Mas o tempo é o melhor juiz. É o melhor remédio. É o melhor reconciliador.
Enquanto a gente vai fazendo a nossa parte, o mundo vai dando voltas. O importante é não ficar parado. Tem que deixar para lá as coisas que nos perturbam e seguir adiante, procurando sempre fazer o melhor que pudermos. O que não depende da gente tem um desenvolvimento por si só. Não podemos controlar tudo. Mas não poder controlar tudo não significa que tudo está fora de controle.
Nem toda força feroz da natureza é para o mal. Os trovões fertilizam a terra.
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Mas não é impressionante como tem gente cara de pau que não tem nem vergonha das próprias trapaças??
Eu fico impressionada.
Por isso a gente não pode ficar desatento. Sem ser neurótico, temos que ter uma auto-preservação, porque nunca se sabe o que pode surgir na nossa vida. Temos que tomar atitudes de proteção. Despertar espírito crítico para não nos deixarmos levar por conversa mole. O que o estelionatário faz antes de dar o golpe é ganhar a confiança, virar o melhor amigo. Vestir a pele de cordeiro e se mostrar o ser mais dócil e mais digno.
Questionar não faz mal, não. Formalizar também não.
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Ainda bem mesmo que o mundo dá voltas.
O mundo escapa ao nosso ritmo ocidental, que quer resolver tudo na hora, que diz que tempo é dinheiro. Tempo é tempo e tem seu próprio ritmo. Não se mede nem tem preço, não. O que tem preço é o tempo da indústria, que coloca ponto na porta de entrada para a gente bater. A vida não funciona em horário comercial. E nem sangue é tempo. Não podemos também nos deixar levar por este papo furado do mundo empresarial que diz que o comprometimento com o trabalho deve ser até à alma. Realização profissional é importante, mas não é tudo. Treinamento em motivação é muitas vezes lavagem cerebral para facilitar a exploração. No fim das contas as rugas ficam marcadas no nosso rosto, em ninguém mais.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Caranguejo não é peixe...

São Vicente é uma cidade muito boa de se passear. Outro dia percorri a praia, no final da tarde, passei por trás dos prédios e beirando o mar, verifiquei que está tudo muito bem cuidado. Nada como ir dormir ouvindo as ondas do mar.
Acho que esta experiência de estar morando meio cá meio lá está me conscientizando da necessidade que temos de nos desintoxicar da vida do dia a dia.
Seja através de um exercício, um passeio diferente, um momento de meditação, uma conversa descontraída com um familiar, tudo vale para a gente "desinchar" o cérebro de tanta informação que absorvemos durante o dia.
Não basta observarmos a nossa alimentação, é preciso cuidar da mente.

Mens sana in corpore sano

segunda-feira, setembro 11, 2006

Outro dia eu estava ouvindo umas músicas infantis, repeti alguns versos para a minha mãe:

"Qual o doce mais doce que o doce de batata doce??"

Qual a minha surpresa quando ela respondeu:

"Não sei..."

quarta-feira, setembro 06, 2006

Ice, ice, baby.

Viver no frio. Para mim é um grande desafio, mesmo que somente por algumas semanas.
Ontem foi um dia muito triste. Quando o ponteiro da temperatura vai abaixo de 16 graus, já não estou contente. Quando beira o zero grau então, cruz credo.
Então muita coisa fica suspensa. Não saio, não faço muito, não penso muito, não me sinto estimulada para nada. Apenas espero o tempo passar e o frio passar e chegar a primavera. Sinto já os primeiros raios de sol que estão ansiosos para me cumprimentar de uma manhã que vai chegar.
Sob uma camada grossa de gelo, vejo o mundo e não me admira a distorção.
Tudo está parado, congelado.
Nada de grandes decisões, nada de cair de cabeça.
Vou esperar o mundo girar e trazer de volta para meu colo o sol.

quinta-feira, agosto 24, 2006

EU VOLTEI.......

O Portão( Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
.
Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
.
Eu voltei.
.
Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei.
.
E voltei.
Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei.
.
Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo o meu passado iluminei
E entrei
Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
E eu falei.
.
Onde andei não deu para ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei.
.
Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei
Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei.
.
Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei.