
Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres... / Twitter: @roselyzenker; Orkut, Myspace e Facebook: Rosely Zenker / Post "100 filmes que eu mais gostei de ver": está em "junho 2009"
domingo, maio 28, 2006
sábado, maio 27, 2006
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
sexta-feira, maio 26, 2006
Mas louco é quem me diz que não é feliz... eu sou feliz...
Auto-retrato animal
Sou um bichinho manso, selvagem, migratório e hiberno no frio.
Constituo família por monogamia, após uma longa e conturbada juventude.
Meu habitat natural pode ser qualquer tipo de chão, mas preciso ir constantemente à praia para recarregar as forças.
Se sou esquilo a-do-ro castanhas em geral e prefiro estocar alimentos para mim e minha grande família (meus amigos são todos parentes próximos). Nunca canso de brincar, mesmo adulta. E estou sempre de casacão se não está um sol de quarenta graus.
Se sou peixe, não saio da água. Pode ser água doce, água salgada, água corrente, água de piscina. Só não tolero água suja, não entro de jeito nenhum!
Se sou gato, sou preguiçosa e adoro uma almofada bem confortável. Sou liberta de qualquer instituição física ou abstrata. Faço o que quero, quando quero, se quero. Não sou muito de dar satisfações para as pessoas.
Se sou pássaro, prefiro ser o bem-te-vi, que vive tanto no campo como na cidade. Ter o peito amarelo me orgulha, por ser a minha cor favorita... E dia feliz ou não, sempre sei o que dizer, o que cantar, eu consigo fazer melhorar o meu humor e o humor das pessoas.
Mas também sem dúvida nenhuma, sou ao mesmo tempo galinha e galo de galinheiro. Quero meus filhotinhos todos junto comigo, para que eles possam crescer com segurança e amor. Quero o galinheiro todo para mim, e se eu mando, não quero competição. Ouço todas as galinhas, mas a responsabilidade fica na minha mão, ou melhor, no meu bico. Sob minha direção, todos estão seguros, pois eu tomo todas as providências.
Se sou urso, reajo com irritabilidade ao que não me agrada e sou capaz de desferir grandes patadas aos que me atacam. Mas ao mesmo tempo, não sou caçadora de alta velocidade, não sou muito de criar encrenca e fazer tudo de presa. O mundo é grande, e prefiro me lambuzar de mel do que travar grandes batalhas para a sobrevivência. E tenho uma caverna quentinha para passar o inverno, sem precisar sair.
Se sou réptil, sou cobra venenosa mesmo, que gosta de tacar a língua com opiniões ácidas a respeito das injustiças do mundo. Sou uma cobra que mete a boca no trombone. Mas como o urso, não sou caçadora épica. Prefiro a dança hipnotizante dos argumentos e das palavras.
Se sou rato, não sou hamster bonitinho, sou rato de biblioteca, que meticuloso devora os livros e faz deles a sua casa, o seu templo, a sua vida. Mas sou um rato alérgico, então, ao contrário dos outros ratos, preciso construir a minha casa ao sol, para nada ficar mofado e não ter cheiro de livro velho. Sou rato de metrô também, que vai para tudo quanto é lugar da cidade tentando conhecer o que não conheço ainda.
Se sou um bicho escuso, sou calango, daqueles sobreviventes. Posso esturricar no sol, posso ser caçado e atacado sem chance de defesa, posso ser pisado ou posso desabar de um precipício, sempre sobrevivo. Sobrevivo onde a escassez é regra, onde a dificuldade vence, onde a privação é inevitável.
Se sou um bicho bem fofinho, sou mico, que com suas brincadeiras e abraços conquista as pessoas, que se encantam pelo seu olhar e seu afeto. Sou macaquinho que adora as crianças e pode passar o dia inteiro fazendo bagunça com elas ou como elas.
E por fim, sou um lobo que como todo bom poeta uiva para a lua e tem vida noturna. Solitário ou em bando, nunca abandono meu quê misterioso, enigmático. Adoro o contorno de meus olhos egípcios de lobo.
Definitivamente, não sou pingüim, não sou animal feroz, nem pássaro de grandes alturas.
Também não sou cachorro, apesar de adorar os cachorros. Os cachorros são metódicos e caseiros, fixam-se a lugares e a pessoas. Qualquer coisa os faz feliz, come qualquer coisa. Admiro-os, e como lobo posso conviver bem, mas não sou um deles.
Odeio bichos que gritam por qualquer coisa, que fazem muito barulho, que brigam por qualquer coisa, que invadem espaços dos outros, que são conquistadores acima de tudo. Odeio bichos competidores. Meu território é o mundo, acho que ninguém tem nada verdadeiro de si do que a própria consciência.
Resumindo, sou uma FUINHA com muito orgulho. Sou o que sou, e ninguém tem nada a ver com isso. Quem quiser ser pavão, urubu, caranguejo, panda, lince, baleia, que seja. A natureza é uma diversidade, cada um que faça o que lhe for melhor para ser feliz.
Foto do esquilo: Madalena Grenier
Sou um bichinho manso, selvagem, migratório e hiberno no frio.
Constituo família por monogamia, após uma longa e conturbada juventude.
Meu habitat natural pode ser qualquer tipo de chão, mas preciso ir constantemente à praia para recarregar as forças.

Se sou peixe, não saio da água. Pode ser água doce, água salgada, água corrente, água de piscina. Só não tolero água suja, não entro de jeito nenhum!
Se sou gato, sou preguiçosa e adoro uma almofada bem confortável. Sou liberta de qualquer instituição física ou abstrata. Faço o que quero, quando quero, se quero. Não sou muito de dar satisfações para as pessoas.
Se sou pássaro, prefiro ser o bem-te-vi, que vive tanto no campo como na cidade. Ter o peito amarelo me orgulha, por ser a minha cor favorita... E dia feliz ou não, sempre sei o que dizer, o que cantar, eu consigo fazer melhorar o meu humor e o humor das pessoas.

Se sou urso, reajo com irritabilidade ao que não me agrada e sou capaz de desferir grandes patadas aos que me atacam. Mas ao mesmo tempo, não sou caçadora de alta velocidade, não sou muito de criar encrenca e fazer tudo de presa. O mundo é grande, e prefiro me lambuzar de mel do que travar grandes batalhas para a sobrevivência. E tenho uma caverna quentinha para passar o inverno, sem precisar sair.
Se sou réptil, sou cobra venenosa mesmo, que gosta de tacar a língua com opiniões ácidas a respeito das injustiças do mundo. Sou uma cobra que mete a boca no trombone. Mas como o urso, não sou caçadora épica. Prefiro a dança hipnotizante dos argumentos e das palavras.
Se sou rato, não sou hamster bonitinho, sou rato de biblioteca, que meticuloso devora os livros e faz deles a sua casa, o seu templo, a sua vida. Mas sou um rato alérgico, então, ao contrário dos outros ratos, preciso construir a minha casa ao sol, para nada ficar mofado e não ter cheiro de livro velho. Sou rato de metrô também, que vai para tudo quanto é lugar da cidade tentando conhecer o que não conheço ainda.

Se sou um bicho bem fofinho, sou mico, que com suas brincadeiras e abraços conquista as pessoas, que se encantam pelo seu olhar e seu afeto. Sou macaquinho que adora as crianças e pode passar o dia inteiro fazendo bagunça com elas ou como elas.
E por fim, sou um lobo que como todo bom poeta uiva para a lua e tem vida noturna. Solitário ou em bando, nunca abandono meu quê misterioso, enigmático. Adoro o contorno de meus olhos egípcios de lobo.
Definitivamente, não sou pingüim, não sou animal feroz, nem pássaro de grandes alturas.
Também não sou cachorro, apesar de adorar os cachorros. Os cachorros são metódicos e caseiros, fixam-se a lugares e a pessoas. Qualquer coisa os faz feliz, come qualquer coisa. Admiro-os, e como lobo posso conviver bem, mas não sou um deles.
Odeio bichos que gritam por qualquer coisa, que fazem muito barulho, que brigam por qualquer coisa, que invadem espaços dos outros, que são conquistadores acima de tudo. Odeio bichos competidores. Meu território é o mundo, acho que ninguém tem nada verdadeiro de si do que a própria consciência.
Resumindo, sou uma FUINHA com muito orgulho. Sou o que sou, e ninguém tem nada a ver com isso. Quem quiser ser pavão, urubu, caranguejo, panda, lince, baleia, que seja. A natureza é uma diversidade, cada um que faça o que lhe for melhor para ser feliz.
Foto do esquilo: Madalena Grenier
quinta-feira, maio 25, 2006
Andá com a fé eu vou, que a fé não costuma faiá...

Vou então num esforço máximo me concentrar num dia bem quente para me animar a escrever. Especificamente o dia em que eu estava no ponto de ônibus, dei sinal, quando o ônibus parou, que surpresa: o motorista estava vestido de papai noel.
Eu costumo cumprimentar os motoristas e os cobradores. Bom dia, boa tarde, boa noite, é o mínimo que se pode fazer a alguém que lhe está prestando um serviço (sem questionar aqui a qualidade destes serviços, porque se o ônibus é novo ou velho, se o humor está bom ou está afetado pelo trânsito, isso não é culpa dos funcionários - não deve ser nada bom para eles também). Também cumprimento os guardinhas da faculdade. Os faxineiros. Os porteiros. São pessoas como eu, nada a mais, nada a menos. Eu até já falei em outro post como sinto falta em São Paulo as pessoas se cumprimentarem. Acho o máximo quando estou em outra localidade e as pessoas lhe dão bom dia. Em São Paulo todo mundo é não me toque, não me rele (por uma razão muito simples e justificável: a violência).
Parece muito sem importância, mas não é. Não olhar para quem está lhe prestando um serviço, principalmente manual, causa a chamada invisibilidade social. Uma tese da Fea, cujo autor não vou me lembrar o nome agora, fez uma experiência prática sobre esta temática. Vestiu-se de faxineiro e passou a trabalhar voluntariamente na Usp. Sua verificação: ninguém o reconhecia. Nem colegas, nem professores (a não ser seu orientador, que sabia do projeto), nem ninguém. Isso por um motivo óbvio: ao estar com uniforme e vassoura, ninguém olhava para ele. Ele também relatou sobre as conseqüências dessas atitudes (ou a falta delas): baixa estima, complexo de

Mas voltando ao motorista de ônibus, neste dia não tinha uma pessoa que não entrasse sorrindo, conversando com o motorista, elogiando a sua atitude. Até perguntaram para o cobrador se não ia aderir à onda, mas pelo jeito ele era muito tímido, hihihihihi
Não seria o máximo todos os motoristas e cobradores vestidos de papai noel, coelhinho da páscoa e em temas comemorativos: índio, árvore, tiradentes, proclamação da república, finados, mães, pais?? Imagine a produção...
terça-feira, maio 23, 2006
Alguma coisa está fora da ordem, Fora da nova ordem mundial...
Sou a favor de políticas afirmativas, porque a sociedade não vai dar oportunidades de braços abertos àqueles que são excluídos sociais. Não à exclusão social! Sim à universidade pública e de qualidade!
domingo, maio 21, 2006
Eu vou ficar, ficar com certeza maluco beleza
Sinto-lhes informar que a maior parte da população mundial sofre de problemas psiquiátricos sem saber.
Recomendo que todo mundo, inclusive eu, passe por análises psicológicas para melhorarmos o mundo em que vivemos.
Cada gente louca neste mundo, viu?
Recomendo que todo mundo, inclusive eu, passe por análises psicológicas para melhorarmos o mundo em que vivemos.
Cada gente louca neste mundo, viu?
sábado, maio 20, 2006
sexta-feira, maio 19, 2006
lua de são jorge lua maravilha mãe, irmã e filha de todo esplendor

Esta imagem disse ser produzida no instante da produção desta postagem. Retirei do site http://www.zenite.nu/tema/
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"AS FASES CRESCENTE, CHEIA, MINGUANTE E NOVA NÃO DURAM UMA SEMANA, como sugerem alguns calendários. Elas ocorrem apenas num dia do mês – e a situação em que o nosso satélite natural está 50% iluminado (quando a Lua é Crescente ou Minguante), 100% iluminado (Cheia) ou 0% (Nova), dura no máximo algumas horas.Em todos os demais dias do mês a Lua não é Cheia nem Nova. Ela pode estar crescendo ou minguando, mas ainda não é Lua Crescente e nem Minguante". http://www.zenite.nu/tema/
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Este é um universo que não pára de se mexer o tempo todo. Nada está estático, nem ao menos o que vemos, pois estamos uma corrida no meio do vácuo, no meio do vazio, numa trajetória alucinada em todos os instantes. Não sentimos esta sensação de movimento, mas tudo dentro e fora de nós se move. Nada está parado. Nada tem velocidade zero. Tudo não é uma ilusão? Tudo no que acreditamos é estático? Então pensamos errado, porque não passamos de um apanhado de moléculas pulantes e dançantes. Quer queiramos, quer não, nosso corpo luta pela sobrevivência. Nada parece agressivo ou destrutivo suficiente do que as ações do micro e macro universo. Nada parece mais equilibrado ou sábio do que as ações do micro e macro universo. Contemplação: algo não comum aos seres humanos, principalmente metropolizados. Por isso somos tão neuróticos, queremos viver como se fôssemos donos do universo, como se tivéssemos mais poder do que os meteoros, como se fôssemos responsáveis criadores por tudo o que nos ocorre. Mas não é assim: o universo tem suas regras próprias e devemos sentir seus enigmas. Talvez isso que signifique destino.
quinta-feira, maio 18, 2006
Nessa terra tudo dá Terra de índio Nessa terra tudo dá não para o índio
quarta-feira, maio 17, 2006
Heal The World, Make It A Better Place
Eu já sofri um golpe de estado. Trabalhava em uma sociedade beneficente em um bairro da periferia nesta época. Era coordenadora de um grupo de voluntários, desenvolvíamos atividades de reforço escolar em português e matemática, alfabetização, aulas interativas com temáticas de cidadania, aulas de teatro e computação. Os encontros eram semanais, aos sábados de manhã, e os quase 100 alunos pobres eram divididos em quatro ou cinco salas. Não era ainda um trabalho maduro, mas era fruto de mais de sete anos de organização. Não era fácil, mas os resultados apareciam a olhos vistos. Não estávamos confortáveis em
estrutura, mas a programação já estava adiantada em seis meses. Tínhamos problemas, sim, como qualquer atividade que tem como matéria-prima o ser humano. Tenho certeza de que aquele trabalho plantou no coração daqueles jovens a semente do amor, do respeito ao próximo, a confiança em si mesmos. Aprendemos juntos a ter sonhos, como cursar outras instituições conceituadas, ter emprego digno, a nos tornarmos cidadãos honrados.
Um dia, sem mais nem menos, fui chamada a uma reunião com a diretoria desta sociedade beneficente. Anunciaram-me a destruição deste trabalho. Já estava decidido. As mudanças estipuladas mataram todas as nossas esperanças e possibilidades. Tentei, em vão, argumentar. Tentei, em vão, defender a dignidade de meus alunos e voluntáios. Mas o muro já estava construído e as árvores arrancadas. Estancaram uma faca em mim. E esta instituição tão séria e tão apreciada pela comunidade mostrou para mim uma face feia. Uma face que não levou em consideração não somente os nossos sentimentos, mas também o nosso esforço e a nossa competência. A maioria dos meus voluntários foram embora tristes, alguns felizmente ficaram. A maioria dos meus alunos foram embora, ainda bem que já tínhamos tocado as suas almas o suficiente para mudar o curso de suas vidas, assim como havíamos mudado as nossas.
Obviamente que fui embora. Nada mais me restava por lá. Já não havia mais trabalho para mim. Eles tinham mandado embora toda a minha razão de estar lá.
Eu deveria ter aberto um processo judicial contra eles. Hoje me arrependo disso. Lutei com minhas palavras e com minha força, mas não foi suficiente. Não se tratava de vingança ou de desforra, mas acho que isso deveria ter sido feito para de alguma forma defender a dignidade do trabalho. Acho que seria um alerta à instituição de que não se pode deliberar ordens que prejudiquem as pessoas... Acho que estava muito triste para tomar uma atitude e talvez tivesse a impressão de que chamar um advogado fosse me macular de algum modo. Mas não, muito pelo contrário, seria uma ação de cidadania, como hoje entendo. Não que esperasse restituir todas as perdas, isso seria impossível. Mas houve perdas, houve uma ação ilícita, que gerou males para as pessoas e para a comunidade. Não foi justo que tenhamos sofrido uma ação tão unilateral. O nosso trabalho não lhes pertencia, pertencia aos jovens que atendíamos. Era um valor da comunidade, eles não tinham o direito de fazer o que fizeram, da forma como fizeram. Que a indenização pedida fosse de um real, não importava.
Apesar de tão triste fato, não desisti do trabalho voluntário. Eu acredito no que faço. Acho que uma coisa boa surgiu deste episódio: perdi a inocência. Esbarramos nas limitações das pessoas que encontramos nesta área do 'terceiro setor', nas más intenções (principalmente de lucro), nas mentalidades fechadas, preconceituosas, de falsa moral. Esbarramos em disputas de poder, que não combina nada com um trabalho que deveria ser doado de coração aberto.
Mas se não for por nossas mãos, se não for por nossas atuações, quem irá até os que estão esquecidos na impossibilidade de participação social? Felizmente eu encontro em minha jornada neste caminho da responsabilidade social um pelotão de pessoas que se entregam de corpo e alma por um mundo melhor. Felizmente eu vejo e ouço falar de cada vez mais gente empenhada nesta luta, com boas idéias, com boas intenções, com bom coração. Pessoas que se preparam, que estudam, que baseiam a atuação na experiência e na busca de informações.
Não, não é fácil, mas ao mesmo tempo é. É preciso estar bem preparado para certas atividades. Para outras, basta distribuir sorrisos e carinho, agentes poderosos de transformação. Mas não há outra atividade no mundo que pague tão bem: o cansaço feliz do final do dia.
Até hoje recebo notícias daqueles alunos daquele grupo. Hoje adultos que têm suas próprias famílias, que trabalham, que estudam, que passaram na faculdade, que passaram em concursos públicos. Que me enchem o coração de orgulho e felicidade. Aprendi muito com esse pessoal tão especial, todos marcaram a minha vida para sempre.
Combater a violência é distribuir amor.

Um dia, sem mais nem menos, fui chamada a uma reunião com a diretoria desta sociedade beneficente. Anunciaram-me a destruição deste trabalho. Já estava decidido. As mudanças estipuladas mataram todas as nossas esperanças e possibilidades. Tentei, em vão, argumentar. Tentei, em vão, defender a dignidade de meus alunos e voluntáios. Mas o muro já estava construído e as árvores arrancadas. Estancaram uma faca em mim. E esta instituição tão séria e tão apreciada pela comunidade mostrou para mim uma face feia. Uma face que não levou em consideração não somente os nossos sentimentos, mas também o nosso esforço e a nossa competência. A maioria dos meus voluntários foram embora tristes, alguns felizmente ficaram. A maioria dos meus alunos foram embora, ainda bem que já tínhamos tocado as suas almas o suficiente para mudar o curso de suas vidas, assim como havíamos mudado as nossas.
Obviamente que fui embora. Nada mais me restava por lá. Já não havia mais trabalho para mim. Eles tinham mandado embora toda a minha razão de estar lá.
Eu deveria ter aberto um processo judicial contra eles. Hoje me arrependo disso. Lutei com minhas palavras e com minha força, mas não foi suficiente. Não se tratava de vingança ou de desforra, mas acho que isso deveria ter sido feito para de alguma forma defender a dignidade do trabalho. Acho que seria um alerta à instituição de que não se pode deliberar ordens que prejudiquem as pessoas... Acho que estava muito triste para tomar uma atitude e talvez tivesse a impressão de que chamar um advogado fosse me macular de algum modo. Mas não, muito pelo contrário, seria uma ação de cidadania, como hoje entendo. Não que esperasse restituir todas as perdas, isso seria impossível. Mas houve perdas, houve uma ação ilícita, que gerou males para as pessoas e para a comunidade. Não foi justo que tenhamos sofrido uma ação tão unilateral. O nosso trabalho não lhes pertencia, pertencia aos jovens que atendíamos. Era um valor da comunidade, eles não tinham o direito de fazer o que fizeram, da forma como fizeram. Que a indenização pedida fosse de um real, não importava.
Apesar de tão triste fato, não desisti do trabalho voluntário. Eu acredito no que faço. Acho que uma coisa boa surgiu deste episódio: perdi a inocência. Esbarramos nas limitações das pessoas que encontramos nesta área do 'terceiro setor', nas más intenções (principalmente de lucro), nas mentalidades fechadas, preconceituosas, de falsa moral. Esbarramos em disputas de poder, que não combina nada com um trabalho que deveria ser doado de coração aberto.
Mas se não for por nossas mãos, se não for por nossas atuações, quem irá até os que estão esquecidos na impossibilidade de participação social? Felizmente eu encontro em minha jornada neste caminho da responsabilidade social um pelotão de pessoas que se entregam de corpo e alma por um mundo melhor. Felizmente eu vejo e ouço falar de cada vez mais gente empenhada nesta luta, com boas idéias, com boas intenções, com bom coração. Pessoas que se preparam, que estudam, que baseiam a atuação na experiência e na busca de informações.
Não, não é fácil, mas ao mesmo tempo é. É preciso estar bem preparado para certas atividades. Para outras, basta distribuir sorrisos e carinho, agentes poderosos de transformação. Mas não há outra atividade no mundo que pague tão bem: o cansaço feliz do final do dia.

Até hoje recebo notícias daqueles alunos daquele grupo. Hoje adultos que têm suas próprias famílias, que trabalham, que estudam, que passaram na faculdade, que passaram em concursos públicos. Que me enchem o coração de orgulho e felicidade. Aprendi muito com esse pessoal tão especial, todos marcaram a minha vida para sempre.
Combater a violência é distribuir amor.
terça-feira, maio 16, 2006
É assim como a luz no coração

Todas as formas de amor são válidas.
Antes amar do que fazer guerra, do que não lutar pela paz.
Homenagear o amor é homenagear todas as pessoas que amam, pois que sem a pessoa não há um amor flutuando no ar. O amor nasce nas pessoas, é transmitido entre elas, expande-se por elas, concretiza-se nelas. Não é um efeito de bomba atômica ou de um som. São ondas invisíveis nas mentes e corações.
Por isso, como se pode repreender algum modo de amar?
Um estupro não é amor. Um beijo apaixonado é uma manifestação do amor. São coisas diferentes. Como não aceitar o amor, enfim?
Como não aceitar o outro e suas formas de amar?
Que se fizessem mal a alguém, que se fizessem algo contra alguém, que se fizessem algo contra si mesmos. Mas não. Amam. Com mente, corpo, amam com intensidade, com sinceridade. Passam-se anos amando. A vida toda amando e as pessoas dizem que não é amor? Dedicam-se sem limites e com respeito, isso não é amor?
Fácil recrimar as pessoas sem conhecê-las. Mas como recriminar o amor?
AMOR
Faça amor, não faça a guerra.
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http://www.fotoaleph.com/Colecciones/TemplosAmor/TemplosAmor-texto.html (fotos bem interessantes neste site, de onde peguei a imagem deste post)
segunda-feira, maio 15, 2006
5 minutos de silêncio em respeito aos nossos mortos
Não estou chocada, não estou alarmada.
Eu me solidarizo com as famílias que tiveram as suas perdas nestes atentados.
A violência nunca é bem vista, bem quista, bem recebida e muito menos desejada.
Mas não é muito surpresa para mim ver estas manifestações e incidentes acontecendo, afinal quantas pessoas vivem na cidade de São Paulo em situações indignas e desumanas, sem que isso importasse para algum governante? A séria conseqüência é previsível, infelizmente.
Prisões universidades de bandidos, já que lá eles não encontram nada além do ócio e do descaso da sociedade. Quem pode retornar redimido à sociedade sendo considerado a escória? Quem pode se integrar à sociedade tendo passado meses e anos sem nenhuma atividade produtiva e de algum reconhecimento? Óbvio que muitos vão sair piores do que entraram. Óbvio que haverá violência nas ruas enquanto houver miséria. Enquanto houver a mentalidade de que pobre é o excedente, que não precisa de condições de desenvolvimento, encontraremos problemas como estes. Muitos problemas, aliás, nem aparecem para as pessoas, o que mantém a ilusão de uma cidade 'civilizada'.
O sistema precisa ser mudado, mas a sociedade também. Preconceito, corrupção e falta de ética são venenos que ainda e infelizmente estão minando o nosso país.
Eu me solidarizo com as famílias que tiveram as suas perdas nestes atentados.
A violência nunca é bem vista, bem quista, bem recebida e muito menos desejada.
Mas não é muito surpresa para mim ver estas manifestações e incidentes acontecendo, afinal quantas pessoas vivem na cidade de São Paulo em situações indignas e desumanas, sem que isso importasse para algum governante? A séria conseqüência é previsível, infelizmente.
Fecham-se escolas e teatros, abrem-se prisões.
Prisões universidades de bandidos, já que lá eles não encontram nada além do ócio e do descaso da sociedade. Quem pode retornar redimido à sociedade sendo considerado a escória? Quem pode se integrar à sociedade tendo passado meses e anos sem nenhuma atividade produtiva e de algum reconhecimento? Óbvio que muitos vão sair piores do que entraram. Óbvio que haverá violência nas ruas enquanto houver miséria. Enquanto houver a mentalidade de que pobre é o excedente, que não precisa de condições de desenvolvimento, encontraremos problemas como estes. Muitos problemas, aliás, nem aparecem para as pessoas, o que mantém a ilusão de uma cidade 'civilizada'.
O sistema precisa ser mudado, mas a sociedade também. Preconceito, corrupção e falta de ética são venenos que ainda e infelizmente estão minando o nosso país.
Parabéns àqueles que não abrem mão de seus valores, que questionam, que promovem o desenvolvimento social (não estou falando de políticos ou de administradores públicos e privados, mas de pessoas simples e anônimas de nosso povo).
sexta-feira, maio 12, 2006
A alma e a matéria

A alma e a matéria
Composição: Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes
Incenso Fosse Música
isso de querer ser
exatamente aquilo que a gente é
ainda vai nos levar além
Paulo Leminski
(in "Distraído Venceremos" Ed. Brasiliense, 1987)
escultura: Camille Claudel
quarta-feira, maio 10, 2006
O pão, a farinha, feijão, carne seca, limão, mexerica, mamão, melancia, a areia, o cimento, o tijolo, a pedreira quem é que carrega? Hi-ho

Eu tive o privilégio de assistir a peça Os Saltimbancos nos anos 70. Era uma criancinha, mas me lembro até hoje dos quatro bichos, cada um diferente do outro, se unindo para arreganhar o patrão opressor e explorador. Esta peça me fez muito sentido de maneira emocional e intuitiva. Hoje posso desfrutar de interpretações, reflexões, saborear as palavras e as músicas desta peça tão linda. Não é raro esta peça estar em cartaz em São Paulo... para quem tiver a oportunidade, recomendo, mesmo para adultos. É uma peça sensível, bem-humorada, com músicas maravilhosas, não tem como não gostar...
E para quem não puder ir ao teatro, conheça as músicas. Existe até um CD...
Todos: Caramba, caramba, como é que é
Eu acho que é hora de dar no pé
Pra quem não quiser entrar de gaiato
O melhor negócio é dormir no mato
.
Jumento: Porém, porém, já tou fulo da vida
Ter toda razão e nenhuma comida
.
Cachorro: A minha barriga não se acostuma
Ter toda razão e comida nenhuma
.
Galinha: Porém, porém, já me sinto aflita
Me sinto assada, acho que tou frita
.
Gata: É já, é já, vamos sentar a pua
Botar os safados no meio da rua
.
Todos: Quatro juntos braços dados
Damos o fora nesses safados
Braços dados juntos quatro
Chutar os safados pra fora do teatro
Dados juntos quatro braços
E esses safados já tão no bagaço
Quatro braços dados juntos
E esses safados vão virar presunto
.http://os-saltimbancos.letras.terra.com.br/letras/275209/
http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/375181.html
terça-feira, maio 09, 2006
A danada da caveira arregalou o cu para mim

Nossa, eu fico tão horrorizada de vê-la, porque ela é muito muito muito magra! Os ossos ficam aparecendo, contornando o ombro, mostrando os ossinhos da mão, e quando ela ri a gente percebe o formato de sua caveira, os olhos fundos.
Em que universo esta mulher pode entrar assim na tv como um modelo de beleza e bom astral?? Vixe, ela é muito feia e muito ossuda. Antes deveria estar fazendo uma campanha contra a miséria ou mostrando efeitos da guerra...
Putz, eu fico chocada cada vez que essa propaganda é transmitida...
segunda-feira, maio 08, 2006
Pássaro voa e vai pela beira do rio

Pequenas coisas da vida, como uma companhia agradável de alguém, são tão importantes quanto o sucesso que estamos empenhados em conseguir.
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Foto: Madalena Grenier
sábado, maio 06, 2006
Eu ando pelo mundo prestando atenção
sexta-feira, maio 05, 2006
Alma, deixa eu ver sua alma, a epiderme da alma, superfície
"Catarse - Termo utilizado por Aristóteles em sua Poética como objetivo final da tragédia. A palavra já era empregada na religião grega para indicar a purificação prévia e indispensável de um ritual olímpico; na medicina, como purgativo de humores maléficos e, na filosofia pitagórica, como retorno ao equilíbrio espiritual pela audição de música. No teatro, passou a significar o reconhecimento do "terror", experimentado pelo herói trágico (a ameaça à sua condição humana) e da "piedade", a aceitação de seu destino. É uma forma de conhecimento pela dor, cuja experiência conduz à purificação, ao alívio das tensões e à renovação moral. O reconhecimento das situações (anagnorisis), provocado pela catarse, cumpriria o papel, ao menos teoricamente, de transformar a ignorância em conhecimento, além de ser uma das fontes do prazer estético, na medida em que esta sensação é passível de ser recolhida diante do espetáculo oferecido pelo 'outro'."
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"Aliás, a catarse está ligada intimamente ao início da Psicanálise de Freud."
"Essa memorização e essa descarga emotiva tem efeito purificador, livrando a mente do indivíduo do problema, ou seja, trata-se de uma purificação que traz cura - daí a denominação de método catártico."
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"Poética: mimese e catarse. Mimese recriar as coisas segundo uma nova dimensão, baseado nas
possibilidades dos seus desdobramentos. Catarse é a purificação das paixões possível através da tragédia e a música, encaminhando-nos assim à libertação e ao nosso bem maior: a felicidade."
possibilidades dos seus desdobramentos. Catarse é a purificação das paixões possível através da tragédia e a música, encaminhando-nos assim à libertação e ao nosso bem maior: a felicidade."
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(Rosely que chora que nem louca e depois ri que nem louca ao ver uma cena qualquer, se sentindo muito aliviada em sua alma sem ao menos saber no que ou por que)
Imagem: escultura de Camille Claudel
quinta-feira, maio 04, 2006
quarta-feira, maio 03, 2006
Alô, alô, W/Brasil
Sem dúvida, estamos na era das embalagens. O consumidor em via de regra se leva a crer que há qualidade em marcas consolidadas e em embalagens grandes, modernosas, coloridas e de grande impacto. Os designs são arrojados, com frases de efeito, com ilustrações. Embalagens dentro de embalagens, tudo embrulhado separadamente. Um enorme desperdício.
Quando comecei a separar os materiais reciclados do lixo, percebi que o volume de materiais recicláveis é muito
maior. Papéis e plásticos gastos inutilmente. E também há o agravante de as empresas preferirem optar por materiais não-recicláveis ou não-aproveitáveis. Isso eu acho péssimo. O fator meio ambiente tem pesado na decisão dos consumidores, mas pelo jeito não tem sido decisivo ainda.
Fico frustrada ao perceber que o produto por vezes ocupa quase metade da embalagem a ele destinado. Quando há opção, prefiro os produtos com economia de embalagem, mas infelizmente isso não é possível na maioria das vezes.
Eu recomendo um trabalho de separação do lixo. Não é só um exercício de cidadania, é também um questionamento sobre os produtos que consumimos em casa. Eu comecei a notar mais as informações, se há o selo de reciclável, a data de validade, os ingredientes (passei a evitar mais os produtos com gordura vegetal hidrogenada, por exemplo). E nem sempre as embalagens mais bonitas e chamativas apresentam um produto melhor. Mais produtos químicos e artificiais, mais corantes e conservantes, menos propriedades nutricionais. A empresa, com suas exceções, pode estar gastando mais com publicidade do que com o produto. Não nos deixemos enganar pelo glitter.
E se não há em sua rua um trabalho da prefeitura de recolhimento de reciclagem, procure se informar onde você pode entregá-lo. Vai se surpreender com a facilidade de encontrar um lugar de encaminhamento no seu bairro.
E não pense que reciclável é lixo e não ajuda ninguém. A cooperativa Reciclázaro (http://www.reciclazaro.com.br/) é um exemplo do que o reciclável pode fazer pela vida de inúmeras pessoas. Uma organização séria. Um exemplo de sucesso. Pessoas que saíram do abandono e da miséria e hoje trabalham com dignidade.
E já que eu toquei no assunto de qualidade de produtos, vou dar aqui outra sugestão: experimente de vez em quando as marcas desconhecidas. Eu já encontrei produtos muito bons e muito mais baratos assim. Desconfio de promoções sugestivas. Vou dar um exemplo: outro dia cheguei em um supermercado para comprar leite condensado. A marca mais famosa estava com um bom desconto. Dez centavos a menos que a marca mais
barata, uma marca nova no mercado. Levei o produto desta marca desconhecida, que obviamente estava encontrando uma concorrência desleal. Por que, justo naquele dia, a marca mais famosa estava com um preço tão barato daquele jeito? Para evitar a venda da outra? Teorias de conspiração. Talvez paranóia, talvez efeito de um sistema interessado em um hiper-lucro desmedido e controle total de mercado.
Outro questionamento: vocês já repararam que há produtos de nomes diferentes, mas de uma única empresa por detrás? Observem as pastas de dentes, os sabonetes...
Quando comecei a separar os materiais reciclados do lixo, percebi que o volume de materiais recicláveis é muito

Fico frustrada ao perceber que o produto por vezes ocupa quase metade da embalagem a ele destinado. Quando há opção, prefiro os produtos com economia de embalagem, mas infelizmente isso não é possível na maioria das vezes.
Eu recomendo um trabalho de separação do lixo. Não é só um exercício de cidadania, é também um questionamento sobre os produtos que consumimos em casa. Eu comecei a notar mais as informações, se há o selo de reciclável, a data de validade, os ingredientes (passei a evitar mais os produtos com gordura vegetal hidrogenada, por exemplo). E nem sempre as embalagens mais bonitas e chamativas apresentam um produto melhor. Mais produtos químicos e artificiais, mais corantes e conservantes, menos propriedades nutricionais. A empresa, com suas exceções, pode estar gastando mais com publicidade do que com o produto. Não nos deixemos enganar pelo glitter.
E se não há em sua rua um trabalho da prefeitura de recolhimento de reciclagem, procure se informar onde você pode entregá-lo. Vai se surpreender com a facilidade de encontrar um lugar de encaminhamento no seu bairro.
E não pense que reciclável é lixo e não ajuda ninguém. A cooperativa Reciclázaro (http://www.reciclazaro.com.br/) é um exemplo do que o reciclável pode fazer pela vida de inúmeras pessoas. Uma organização séria. Um exemplo de sucesso. Pessoas que saíram do abandono e da miséria e hoje trabalham com dignidade.
E já que eu toquei no assunto de qualidade de produtos, vou dar aqui outra sugestão: experimente de vez em quando as marcas desconhecidas. Eu já encontrei produtos muito bons e muito mais baratos assim. Desconfio de promoções sugestivas. Vou dar um exemplo: outro dia cheguei em um supermercado para comprar leite condensado. A marca mais famosa estava com um bom desconto. Dez centavos a menos que a marca mais

Outro questionamento: vocês já repararam que há produtos de nomes diferentes, mas de uma única empresa por detrás? Observem as pastas de dentes, os sabonetes...
terça-feira, maio 02, 2006
Mora na filosofia
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