domingo, setembro 24, 2006

Ideologia... eu quero uma pra viver...

Nesta semana recebi um convite para um encontro de ex-alunos do colegial. Inevitável foi ficar pensando na trilha sonora desta fase da minha vida. Inevitável foi lembrar o quanto eu gostava e o quanto gosto ainda de Cazuza.
Acompanhei todas as facetas deste cantor: quando lançou o clipe de Bete Balanço, quando foi seguir carreira solo, quando assumiu ter Aids, quando esteve em um show todo vestido de branco, magrinho e de lenço na cabeça. Eu tinha uma fita cassete azul, não sei nem onde foi parar (risos).
Um dia ainda vou pegar as letras de suas músicas e escrever um texto sobre sua poética. Admiro muito suas palavras.
O site www.cazuza.com.br não só oferece muitas informações sobre sua vida e sua obra, como também detalha o projeto VivaCazuza, que sem dúvida merece admiração de qualquer pessoa.
É bom saber que tudo o que ele passou não foi em vão. Suas músicas perduram, sua vida também.
Para quem não assistiu o filme, até recomendo. Duas horas é pouco para tanto a ser falado, mas algumas cenas são muito boas. Bom, sou suspeita para falar, adorei a trilha sonora...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Tudo muda o tempo todo no mundo...

Se tem algo que eu tenho certeza nesta vida é de que o mundo dá muitas voltas.
A gente só se surpreende o tempo todo como as situações mudam, os papéis se invertem, as pessoas mudam de opinião.
Ainda bem.
Porque senão as pessoas que estão por aí querendo dar uma de boazudas nunca seriam desmascaradas. Porque senão quem foi injustiçado nunca poderia um dia lavar a má fama. Porque senão a gente nem precisaria ter esperança de nada. Mas o tempo é o melhor juiz. É o melhor remédio. É o melhor reconciliador.
Enquanto a gente vai fazendo a nossa parte, o mundo vai dando voltas. O importante é não ficar parado. Tem que deixar para lá as coisas que nos perturbam e seguir adiante, procurando sempre fazer o melhor que pudermos. O que não depende da gente tem um desenvolvimento por si só. Não podemos controlar tudo. Mas não poder controlar tudo não significa que tudo está fora de controle.
Nem toda força feroz da natureza é para o mal. Os trovões fertilizam a terra.
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Mas não é impressionante como tem gente cara de pau que não tem nem vergonha das próprias trapaças??
Eu fico impressionada.
Por isso a gente não pode ficar desatento. Sem ser neurótico, temos que ter uma auto-preservação, porque nunca se sabe o que pode surgir na nossa vida. Temos que tomar atitudes de proteção. Despertar espírito crítico para não nos deixarmos levar por conversa mole. O que o estelionatário faz antes de dar o golpe é ganhar a confiança, virar o melhor amigo. Vestir a pele de cordeiro e se mostrar o ser mais dócil e mais digno.
Questionar não faz mal, não. Formalizar também não.
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Ainda bem mesmo que o mundo dá voltas.
O mundo escapa ao nosso ritmo ocidental, que quer resolver tudo na hora, que diz que tempo é dinheiro. Tempo é tempo e tem seu próprio ritmo. Não se mede nem tem preço, não. O que tem preço é o tempo da indústria, que coloca ponto na porta de entrada para a gente bater. A vida não funciona em horário comercial. E nem sangue é tempo. Não podemos também nos deixar levar por este papo furado do mundo empresarial que diz que o comprometimento com o trabalho deve ser até à alma. Realização profissional é importante, mas não é tudo. Treinamento em motivação é muitas vezes lavagem cerebral para facilitar a exploração. No fim das contas as rugas ficam marcadas no nosso rosto, em ninguém mais.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Caranguejo não é peixe...

São Vicente é uma cidade muito boa de se passear. Outro dia percorri a praia, no final da tarde, passei por trás dos prédios e beirando o mar, verifiquei que está tudo muito bem cuidado. Nada como ir dormir ouvindo as ondas do mar.
Acho que esta experiência de estar morando meio cá meio lá está me conscientizando da necessidade que temos de nos desintoxicar da vida do dia a dia.
Seja através de um exercício, um passeio diferente, um momento de meditação, uma conversa descontraída com um familiar, tudo vale para a gente "desinchar" o cérebro de tanta informação que absorvemos durante o dia.
Não basta observarmos a nossa alimentação, é preciso cuidar da mente.

Mens sana in corpore sano

segunda-feira, setembro 11, 2006

Outro dia eu estava ouvindo umas músicas infantis, repeti alguns versos para a minha mãe:

"Qual o doce mais doce que o doce de batata doce??"

Qual a minha surpresa quando ela respondeu:

"Não sei..."

quarta-feira, setembro 06, 2006

Ice, ice, baby.

Viver no frio. Para mim é um grande desafio, mesmo que somente por algumas semanas.
Ontem foi um dia muito triste. Quando o ponteiro da temperatura vai abaixo de 16 graus, já não estou contente. Quando beira o zero grau então, cruz credo.
Então muita coisa fica suspensa. Não saio, não faço muito, não penso muito, não me sinto estimulada para nada. Apenas espero o tempo passar e o frio passar e chegar a primavera. Sinto já os primeiros raios de sol que estão ansiosos para me cumprimentar de uma manhã que vai chegar.
Sob uma camada grossa de gelo, vejo o mundo e não me admira a distorção.
Tudo está parado, congelado.
Nada de grandes decisões, nada de cair de cabeça.
Vou esperar o mundo girar e trazer de volta para meu colo o sol.

quinta-feira, agosto 24, 2006

EU VOLTEI.......

O Portão( Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
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Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
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Eu voltei.
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Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei.
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E voltei.
Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei.
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Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo o meu passado iluminei
E entrei
Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
E eu falei.
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Onde andei não deu para ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei.
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Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei
Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei.
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Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei.

quinta-feira, junho 22, 2006

terça-feira, junho 06, 2006

Quero um machado para quebrar o gelo

Ufa! Férias!
Indenização de tudo o que a gente sofre durante o ano, durante a vida.
Férias não é férias se a gente não tira um mês inteiro de folga, não é mesmo?
Sabe quanto tempo eu não tiro um mês inteiro de folga?
Bom, isso não deve ser novidade para ninguém, quem consegue isso hoje em dia??
Enfim, eu consegui. Vou aproveitar muito, quem sabe quando vou ter uma oportunidade dessa novamente, não é mesmo?
Mas ainda não encerrei os posts.
Continue acessando...

segunda-feira, junho 05, 2006

Terra, és o mais bonito dos planetas

Queridos leitores,
O post de hoje é uma carta que dirijo a uma amiga muito especial. É uma garota muito esperta que conheci através de seu blog. Ela apresenta um diário com suas aventuras do dia a dia, seus passeios, suas compras, suas impressões da escola, suas atividades... e nos conta com muita sinceridade sobre seus medos, suas dúvidas... fala com carinho de seus amigos, preocupando-se com eles... são pensamentos maduros e sensíveis.
Não é preciso nem dizer que adorei encontrar esta pessoa linda por dentro e por fora.
Por isso esta carta... quero dividir com ela e com vocês um pouco de minha estória, e mostrar como que todas as vidas do universo estão de alguma forma relacionadas.

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Querida Cris,
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O motivo que eu quis lhe mostrar o meu texto foi que com a ajuda de suas palavras eu pude me lembrar de muitas coisas que aconteceram comigo, motivo que me levou a procurar em cadernos antigos alguns diários que descrevem como eu me sentia antes. Por isso eu quero lhe agradecer, para mim foi muito bom este processo. Acho que com o outro a gente aprende muito de nós mesmos.
Eu não tinha tanta certeza do que iria acontecer comigo. É engraçado, para mim, ler estes diários e encontrar ‘pistas’ que no fim diziam a verdade de meu futuro. Em algum lugar do meu inconsciente eu simplesmente sabia o que iria acontecer.
Mas o fato é que eu me sentia muito angustiada, muito sozinha nas minhas decisões, e muitas vezes até muito triste por não saber o que eu queria da vida. Na verdade eu sentia até muita vergonha...
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Assim que terminei a escola, não consegui ingresso na faculdade, e fiquei um ano estudando e trabalhando.
Na época de eu tentar entrar em uma faculdade, no ano seguinte, tentei umas 8. Em cada uma eu prestei uma coisa diferente, por não saber o que fazer. Prestei psicologia, direito, jornalismo, cinema, comunicação, relações internacionais. Pensei em prestar nutrição também, mas acabei desistindo. Só prestei letras na usp, a única universidade pública de São Paulo e a única gratuita, ou seja, com enoooooorme concorrência. Escolhi o curso de letras não por causa da literatura, mas por causa de ter conseguido entrar na melhor universidade do Brasil. Entrei no curso de francês, que cursei até o último ano. No último ano desisti e mudei o curso para português. Desistir de um curso da faculdade é muito menos angustiante do que se pensa. Quando vi que estava fazendo algo errado e mudei de curso, foi um grande alívio para mim, uma grande alegria. Foi a melhor coisa que fiz: cheguei ao curso certo com maior maturidade e até aproveitei melhor do que aqueles que tinham acabado de entrar.
Sem dúvida tive uma grande ajuda da sorte. Acabei no lugar certo. E nem tudo dependeu de mim. Nem tudo depende só da gente...

É muita pressão para a gente ter que escolher o que vamos fazer durante a nossa vida inteira, principalmente do lado de fora. Só dentro da universidade é que pude encontrar os meus verdadeiros gostos, os meus verdadeiros talentos. Tem gente que já sabe desde criança o que quer fazer. Sorte para eles. Mas cada um tem uma estória diferente, e só nós é que podemos desvendar os caminhos de nosso destino. Certamente este processo doido que fez parte do meu caminho contribuiu para eu ser a pessoa que sou hoje.
E tem cada estória louca por aí... gente que faz um determinado curso da faculdade só para agradar aos pais e só depois que vai fazer o que gosta de verdade, gente que não faz faculdade nenhuma e mesmo assim vai trabalhar no que gosta, gente que tinha certeza de que seria médico ou engenheiro, chegou na faculdade, viu que não era nada daquilo e foi fazer filosofia... não existe um caminho certo e sem saída.

Hoje, eu sei o que quero da vida. É algo muito bom que conquistei para mim. Mas esta certeza só me chegou com 30 anos. Isso não me tornou menos inteligente, menos bonita, com menos valor. E não me impediu também de eu ter uma estória profissional feliz (conturbada, mas feliz).

Agora tenho outros questionamentos, outros desafios. Eles nunca param (ainda bem).
O que a gente aprende a controlar melhor é a ansiedade, o medo... não que desapareçam, porque tudo faz parte da vida... mas não precisamos nos martirizar tanto... o mundo dá muitas voltas...
Por isso precisamos e muito valorizar os bons momentos que temos, as boas amizades, as boas oportunidades...
Isso é o que conta no final das contas.

Cris, acho que você é uma pessoa muito especial. Acho não, tenho certeza. Certeza porque tudo o que faço da minha vida é ler textos, interpretar textos, identificar os conteúdos das palavras.
E não foi por acaso que me detive no seu blog. Porque ele, através de depoimentos simples e do cotidiano, revela a pessoa extraordinária que você é. É preciso muita coragem para se expor, expor os medos, os erros, as dúvidas... e isso você faz com maestria!
Não sei se você vai ser nutricionista, professora de ioga, escritora, carpinteira, cantora, o que seja. Mas tenho certeza de que será uma excelente profissional, seja lá o que escolher. Isso já está escrito no seu destino porque está escrito na pessoa que você é.
Continue fazendo a sua parte. E tenha fé em si mesma, tenha fé no seu destino. A vida reserva muitas surpresas para todos nós, o tempo todo.

Um beijão bem grandão...
Rosely

sábado, junho 03, 2006

Se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro...

O mundo gira, mas pareço estar no mesmo lugar. As horas passam, mas pareço estar parada no tempo. As pessoas com quem encontro na rua são frias. Quem me dera ver o mundo colorido e solto, sem preconceitos, unido. Mas quando caio na real, está ele do mesmo jeito que deixei. Às vezes me sinto fora de foco, e como me focalizar num mundo tão louco?

Dia 29 de fevereiro de 1987, o dia da fantasia
Hoje, como não houve nada, dei uma passada na Escócia para visitar alguns castelos. Fui para qualquer outro lugar e me joguei numa cachoeira fresquinha. Viajei então para a Índia. Depois voltei para São Paulo, fiz um curso de inglês e aprendi tudo. Quem sabe amanhã vou para a França e estudo francês? Foi um dia ótimo. Pena que não existiu.

Hoje tomei um copo de vinho.

Até os papéis amigos, apesar de aceitarem tudo o que penso, ainda assim me mostram meus erros.

Sei que minha vida vai ser boa. Em suma, TUDO vale a pena.

E se eu me afastasse da literatura por uma vida inteira? Será que estou preparada?

Estas frases retirei dos meus diários de 1987. Não são as melhores, mas as que me chamaram mais atenção. É incrível como percebi traços de comportamento e questionamento que carrego até hoje. Muito do que escrevi naquela época prenunciaram o que eu fui fazer da vida, que pessoa eu iria me transformar. A minha vontade de conhecer o mundo, outras línguas e outras culturas sempre foram muito marcantes. E a última frase que recolhi então? Eu estava no primeiro colegial e já sabia que dedicaria a minha vida à literatura. Por que eu tinha tantas dúvidas a respeito da profissão que iria seguir? Parece tão claro nestas palavras. Já sabia que seria impossível eu me afastar das letras, dos estudos, dos escritos do mundo. Nem parece que eu tinha tantas dúvidas e tantos temores. Acho que eu tinha um medo de fracassar, talvez. Não só em questão de não passar no vestibular, não conseguir uma boa faculdade. Acho que tinha medo de não dar conta das tristezas e das alegrias que a vida traz para todos nós, dos problemas que inevitavelmente temos que enfrentar: os nossos vícios, os nossos defeitos, os nossos fantasmas e as intromissões do mundo que também nos trazem desafios. Mas acho que fui muito bem. Queria ter marcado menos as datas das provas e escrito mais sobre mim, porque a Rosely de 14 anos me ajuda muito a me conhecer e a ter mais fé em mim mesma...

sexta-feira, junho 02, 2006

Um dia gatinha manhosa eu prendo você, no meu coração...

A fada
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No meio da estrada
Achei uma fada
A fada era linda
Como uma planta florida
.
A fada carregava uma varinha
Em cima tinha
uma estrela
E o seu vestido
Tinha cores da noite.
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Texto de Rosely, provavelmente no ano de 1980
E pensaram que no meio do caminho tinha uma pedra, hein?
Tirar coisas do baú é uma experiência engraçada...

sábado, maio 27, 2006

É o mistério profundo, é o queira ou não queira

The Birth Of Venus (detail), Sandro Botticelli
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parem
eu confesso
sou poeta
.
cada manhã que nasce
me nasce
uma rosa na face
.
parem
eu confesso
sou poeta
.
só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta
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Paulo Leminski

sexta-feira, maio 26, 2006

Mas louco é quem me diz que não é feliz... eu sou feliz...

Auto-retrato animal

Sou um bichinho manso, selvagem, migratório e hiberno no frio.
Constituo família por monogamia, após uma longa e conturbada juventude.
Meu habitat natural pode ser qualquer tipo de chão, mas preciso ir constantemente à praia para recarregar as forças.
Se sou esquilo a-do-ro castanhas em geral e prefiro estocar alimentos para mim e minha grande família (meus amigos são todos parentes próximos). Nunca canso de brincar, mesmo adulta. E estou sempre de casacão se não está um sol de quarenta graus.
Se sou peixe, não saio da água. Pode ser água doce, água salgada, água corrente, água de piscina. Só não tolero água suja, não entro de jeito nenhum!
Se sou gato, sou preguiçosa e adoro uma almofada bem confortável. Sou liberta de qualquer instituição física ou abstrata. Faço o que quero, quando quero, se quero. Não sou muito de dar satisfações para as pessoas.
Se sou pássaro, prefiro ser o bem-te-vi, que vive tanto no campo como na cidade. Ter o peito amarelo me orgulha, por ser a minha cor favorita... E dia feliz ou não, sempre sei o que dizer, o que cantar, eu consigo fazer melhorar o meu humor e o humor das pessoas.
Mas também sem dúvida nenhuma, sou ao mesmo tempo galinha e galo de galinheiro. Quero meus filhotinhos todos junto comigo, para que eles possam crescer com segurança e amor. Quero o galinheiro todo para mim, e se eu mando, não quero competição. Ouço todas as galinhas, mas a responsabilidade fica na minha mão, ou melhor, no meu bico. Sob minha direção, todos estão seguros, pois eu tomo todas as providências.
Se sou urso, reajo com irritabilidade ao que não me agrada e sou capaz de desferir grandes patadas aos que me atacam. Mas ao mesmo tempo, não sou caçadora de alta velocidade, não sou muito de criar encrenca e fazer tudo de presa. O mundo é grande, e prefiro me lambuzar de mel do que travar grandes batalhas para a sobrevivência. E tenho uma caverna quentinha para passar o inverno, sem precisar sair.
Se sou réptil, sou cobra venenosa mesmo, que gosta de tacar a língua com opiniões ácidas a respeito das injustiças do mundo. Sou uma cobra que mete a boca no trombone. Mas como o urso, não sou caçadora épica. Prefiro a dança hipnotizante dos argumentos e das palavras.
Se sou rato, não sou hamster bonitinho, sou rato de biblioteca, que meticuloso devora os livros e faz deles a sua casa, o seu templo, a sua vida. Mas sou um rato alérgico, então, ao contrário dos outros ratos, preciso construir a minha casa ao sol, para nada ficar mofado e não ter cheiro de livro velho. Sou rato de metrô também, que vai para tudo quanto é lugar da cidade tentando conhecer o que não conheço ainda.
Se sou um bicho escuso, sou calango, daqueles sobreviventes. Posso esturricar no sol, posso ser caçado e atacado sem chance de defesa, posso ser pisado ou posso desabar de um precipício, sempre sobrevivo. Sobrevivo onde a escassez é regra, onde a dificuldade vence, onde a privação é inevitável.
Se sou um bicho bem fofinho, sou mico, que com suas brincadeiras e abraços conquista as pessoas, que se encantam pelo seu olhar e seu afeto. Sou macaquinho que adora as crianças e pode passar o dia inteiro fazendo bagunça com elas ou como elas.
E por fim, sou um lobo que como todo bom poeta uiva para a lua e tem vida noturna. Solitário ou em bando, nunca abandono meu quê misterioso, enigmático. Adoro o contorno de meus olhos egípcios de lobo.

Definitivamente, não sou pingüim, não sou animal feroz, nem pássaro de grandes alturas.
Também não sou cachorro, apesar de adorar os cachorros. Os cachorros são metódicos e caseiros, fixam-se a lugares e a pessoas. Qualquer coisa os faz feliz, come qualquer coisa. Admiro-os, e como lobo posso conviver bem, mas não sou um deles.
Odeio bichos que gritam por qualquer coisa, que fazem muito barulho, que brigam por qualquer coisa, que invadem espaços dos outros, que são conquistadores acima de tudo. Odeio bichos competidores. Meu território é o mundo, acho que ninguém tem nada verdadeiro de si do que a própria consciência.

Resumindo, sou uma FUINHA com muito orgulho. Sou o que sou, e ninguém tem nada a ver com isso. Quem quiser ser pavão, urubu, caranguejo, panda, lince, baleia, que seja. A natureza é uma diversidade, cada um que faça o que lhe for melhor para ser feliz.

Foto do esquilo: Madalena Grenier

quinta-feira, maio 25, 2006

Andá com a fé eu vou, que a fé não costuma faiá...

Bom, como se pode perceber, estou escrevendo menos, posts pequenos... Isso tem ocorrido por uma simples razão: o frio. O frio abaixo de 17 graus já me congela. Já me tira o raciocínio, a sensibilidade, a lógica. Abaixo de 17 graus meu corpo já reage como em situação de perigo de vida. Quem disse que eu tenho vontade de conhecer a neve e viajar para os países frios? Eu, hein? Só no verão.

Vou então num esforço máximo me concentrar num dia bem quente para me animar a escrever. Especificamente o dia em que eu estava no ponto de ônibus, dei sinal, quando o ônibus parou, que surpresa: o motorista estava vestido de papai noel.
Eu costumo cumprimentar os motoristas e os cobradores. Bom dia, boa tarde, boa noite, é o mínimo que se pode fazer a alguém que lhe está prestando um serviço (sem questionar aqui a qualidade destes serviços, porque se o ônibus é novo ou velho, se o humor está bom ou está afetado pelo trânsito, isso não é culpa dos funcionários - não deve ser nada bom para eles também). Também cumprimento os guardinhas da faculdade. Os faxineiros. Os porteiros. São pessoas como eu, nada a mais, nada a menos. Eu até já falei em outro post como sinto falta em São Paulo as pessoas se cumprimentarem. Acho o máximo quando estou em outra localidade e as pessoas lhe dão bom dia. Em São Paulo todo mundo é não me toque, não me rele (por uma razão muito simples e justificável: a violência).
Parece muito sem importância, mas não é. Não olhar para quem está lhe prestando um serviço, principalmente manual, causa a chamada invisibilidade social. Uma tese da Fea, cujo autor não vou me lembrar o nome agora, fez uma experiência prática sobre esta temática. Vestiu-se de faxineiro e passou a trabalhar voluntariamente na Usp. Sua verificação: ninguém o reconhecia. Nem colegas, nem professores (a não ser seu orientador, que sabia do projeto), nem ninguém. Isso por um motivo óbvio: ao estar com uniforme e vassoura, ninguém olhava para ele. Ele também relatou sobre as conseqüências dessas atitudes (ou a falta delas): baixa estima, complexo de inferioridade, entre outras. Por isso, não é saudável não ver as pessoas. Sei que isso para a gente que mora em São Paulo é um automatismo. Mas, sempre que possível, é recomendável observarmo-nos, observar a nossa atuação no mundo.
Mas voltando ao motorista de ônibus, neste dia não tinha uma pessoa que não entrasse sorrindo, conversando com o motorista, elogiando a sua atitude. Até perguntaram para o cobrador se não ia aderir à onda, mas pelo jeito ele era muito tímido, hihihihihi
Não seria o máximo todos os motoristas e cobradores vestidos de papai noel, coelhinho da páscoa e em temas comemorativos: índio, árvore, tiradentes, proclamação da república, finados, mães, pais?? Imagine a produção...

terça-feira, maio 23, 2006

Alguma coisa está fora da ordem, Fora da nova ordem mundial...

Sou a favor de políticas afirmativas, porque a sociedade não vai dar oportunidades de braços abertos àqueles que são excluídos sociais. Não à exclusão social! Sim à universidade pública e de qualidade!

domingo, maio 21, 2006

Eu vou ficar, ficar com certeza maluco beleza

Sinto-lhes informar que a maior parte da população mundial sofre de problemas psiquiátricos sem saber.
Recomendo que todo mundo, inclusive eu, passe por análises psicológicas para melhorarmos o mundo em que vivemos.

Cada gente louca neste mundo, viu?

sexta-feira, maio 19, 2006

lua de são jorge lua maravilha mãe, irmã e filha de todo esplendor


Esta imagem disse ser produzida no instante da produção desta postagem. Retirei do site http://www.zenite.nu/tema/
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"AS FASES CRESCENTE, CHEIA, MINGUANTE E NOVA NÃO DURAM UMA SEMANA, como sugerem alguns calendários. Elas ocorrem apenas num dia do mês – e a situação em que o nosso satélite natural está 50% iluminado (quando a Lua é Crescente ou Minguante), 100% iluminado (Cheia) ou 0% (Nova), dura no máximo algumas horas.Em todos os demais dias do mês a Lua não é Cheia nem Nova. Ela pode estar crescendo ou minguando, mas ainda não é Lua Crescente e nem Minguante". http://www.zenite.nu/tema/
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Este é um universo que não pára de se mexer o tempo todo. Nada está estático, nem ao menos o que vemos, pois estamos uma corrida no meio do vácuo, no meio do vazio, numa trajetória alucinada em todos os instantes. Não sentimos esta sensação de movimento, mas tudo dentro e fora de nós se move. Nada está parado. Nada tem velocidade zero. Tudo não é uma ilusão? Tudo no que acreditamos é estático? Então pensamos errado, porque não passamos de um apanhado de moléculas pulantes e dançantes. Quer queiramos, quer não, nosso corpo luta pela sobrevivência. Nada parece agressivo ou destrutivo suficiente do que as ações do micro e macro universo. Nada parece mais equilibrado ou sábio do que as ações do micro e macro universo. Contemplação: algo não comum aos seres humanos, principalmente metropolizados. Por isso somos tão neuróticos, queremos viver como se fôssemos donos do universo, como se tivéssemos mais poder do que os meteoros, como se fôssemos responsáveis criadores por tudo o que nos ocorre. Mas não é assim: o universo tem suas regras próprias e devemos sentir seus enigmas. Talvez isso que signifique destino.

quinta-feira, maio 18, 2006

Nessa terra tudo dá Terra de índio Nessa terra tudo dá não para o índio

















Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade

quarta-feira, maio 17, 2006

Heal The World, Make It A Better Place

Eu já sofri um golpe de estado. Trabalhava em uma sociedade beneficente em um bairro da periferia nesta época. Era coordenadora de um grupo de voluntários, desenvolvíamos atividades de reforço escolar em português e matemática, alfabetização, aulas interativas com temáticas de cidadania, aulas de teatro e computação. Os encontros eram semanais, aos sábados de manhã, e os quase 100 alunos pobres eram divididos em quatro ou cinco salas. Não era ainda um trabalho maduro, mas era fruto de mais de sete anos de organização. Não era fácil, mas os resultados apareciam a olhos vistos. Não estávamos confortáveis em estrutura, mas a programação já estava adiantada em seis meses. Tínhamos problemas, sim, como qualquer atividade que tem como matéria-prima o ser humano. Tenho certeza de que aquele trabalho plantou no coração daqueles jovens a semente do amor, do respeito ao próximo, a confiança em si mesmos. Aprendemos juntos a ter sonhos, como cursar outras instituições conceituadas, ter emprego digno, a nos tornarmos cidadãos honrados.
Um dia, sem mais nem menos, fui chamada a uma reunião com a diretoria desta sociedade beneficente. Anunciaram-me a destruição deste trabalho. Já estava decidido. As mudanças estipuladas mataram todas as nossas esperanças e possibilidades. Tentei, em vão, argumentar. Tentei, em vão, defender a dignidade de meus alunos e voluntáios. Mas o muro já estava construído e as árvores arrancadas. Estancaram uma faca em mim. E esta instituição tão séria e tão apreciada pela comunidade mostrou para mim uma face feia. Uma face que não levou em consideração não somente os nossos sentimentos, mas também o nosso esforço e a nossa competência. A maioria dos meus voluntários foram embora tristes, alguns felizmente ficaram. A maioria dos meus alunos foram embora, ainda bem que já tínhamos tocado as suas almas o suficiente para mudar o curso de suas vidas, assim como havíamos mudado as nossas.
Obviamente que fui embora. Nada mais me restava por lá. Já não havia mais trabalho para mim. Eles tinham mandado embora toda a minha razão de estar lá.
Eu deveria ter aberto um processo judicial contra eles. Hoje me arrependo disso. Lutei com minhas palavras e com minha força, mas não foi suficiente. Não se tratava de vingança ou de desforra, mas acho que isso deveria ter sido feito para de alguma forma defender a dignidade do trabalho. Acho que seria um alerta à instituição de que não se pode deliberar ordens que prejudiquem as pessoas... Acho que estava muito triste para tomar uma atitude e talvez tivesse a impressão de que chamar um advogado fosse me macular de algum modo. Mas não, muito pelo contrário, seria uma ação de cidadania, como hoje entendo. Não que esperasse restituir todas as perdas, isso seria impossível. Mas houve perdas, houve uma ação ilícita, que gerou males para as pessoas e para a comunidade. Não foi justo que tenhamos sofrido uma ação tão unilateral. O nosso trabalho não lhes pertencia, pertencia aos jovens que atendíamos. Era um valor da comunidade, eles não tinham o direito de fazer o que fizeram, da forma como fizeram. Que a indenização pedida fosse de um real, não importava.


Apesar de tão triste fato, não desisti do trabalho voluntário. Eu acredito no que faço. Acho que uma coisa boa surgiu deste episódio: perdi a inocência. Esbarramos nas limitações das pessoas que encontramos nesta área do 'terceiro setor', nas más intenções (principalmente de lucro), nas mentalidades fechadas, preconceituosas, de falsa moral. Esbarramos em disputas de poder, que não combina nada com um trabalho que deveria ser doado de coração aberto.
Mas se não for por nossas mãos, se não for por nossas atuações, quem irá até os que estão esquecidos na impossibilidade de participação social? Felizmente eu encontro em minha jornada neste caminho da responsabilidade social um pelotão de pessoas que se entregam de corpo e alma por um mundo melhor. Felizmente eu vejo e ouço falar de cada vez mais gente empenhada nesta luta, com boas idéias, com boas intenções, com bom coração. Pessoas que se preparam, que estudam, que baseiam a atuação na experiência e na busca de informações.
Não, não é fácil, mas ao mesmo tempo é. É preciso estar bem preparado para certas atividades. Para outras, basta distribuir sorrisos e carinho, agentes poderosos de transformação. Mas não há outra atividade no mundo que pague tão bem: o cansaço feliz do final do dia.

Até hoje recebo notícias daqueles alunos daquele grupo. Hoje adultos que têm suas próprias famílias, que trabalham, que estudam, que passaram na faculdade, que passaram em concursos públicos. Que me enchem o coração de orgulho e felicidade. Aprendi muito com esse pessoal tão especial, todos marcaram a minha vida para sempre.

Combater a violência é distribuir amor.

terça-feira, maio 16, 2006

É assim como a luz no coração


Todas as formas de amor são válidas.

Antes amar do que fazer guerra, do que não lutar pela paz.

Homenagear o amor é homenagear todas as pessoas que amam, pois que sem a pessoa não há um amor flutuando no ar. O amor nasce nas pessoas, é transmitido entre elas, expande-se por elas, concretiza-se nelas. Não é um efeito de bomba atômica ou de um som. São ondas invisíveis nas mentes e corações.

Por isso, como se pode repreender algum modo de amar?
Um estupro não é amor. Um beijo apaixonado é uma manifestação do amor. São coisas diferentes. Como não aceitar o amor, enfim?

Como não aceitar o outro e suas formas de amar?
Que se fizessem mal a alguém, que se fizessem algo contra alguém, que se fizessem algo contra si mesmos. Mas não. Amam. Com mente, corpo, amam com intensidade, com sinceridade. Passam-se anos amando. A vida toda amando e as pessoas dizem que não é amor? Dedicam-se sem limites e com respeito, isso não é amor?

Fácil recrimar as pessoas sem conhecê-las. Mas como recriminar o amor?


AMOR
Faça amor, não faça a guerra.
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http://www.fotoaleph.com/Colecciones/TemplosAmor/TemplosAmor-texto.html (fotos bem interessantes neste site, de onde peguei a imagem deste post)

segunda-feira, maio 15, 2006

5 minutos de silêncio em respeito aos nossos mortos

Não estou chocada, não estou alarmada.
Eu me solidarizo com as famílias que tiveram as suas perdas nestes atentados.
A violência nunca é bem vista, bem quista, bem recebida e muito menos desejada.
Mas não é muito surpresa para mim ver estas manifestações e incidentes acontecendo, afinal quantas pessoas vivem na cidade de São Paulo em situações indignas e desumanas, sem que isso importasse para algum governante? A séria conseqüência é previsível, infelizmente.

Fecham-se escolas e teatros, abrem-se prisões.

Prisões universidades de bandidos, já que lá eles não encontram nada além do ócio e do descaso da sociedade. Quem pode retornar redimido à sociedade sendo considerado a escória? Quem pode se integrar à sociedade tendo passado meses e anos sem nenhuma atividade produtiva e de algum reconhecimento? Óbvio que muitos vão sair piores do que entraram. Óbvio que haverá violência nas ruas enquanto houver miséria. Enquanto houver a mentalidade de que pobre é o excedente, que não precisa de condições de desenvolvimento, encontraremos problemas como estes. Muitos problemas, aliás, nem aparecem para as pessoas, o que mantém a ilusão de uma cidade 'civilizada'.
O sistema precisa ser mudado, mas a sociedade também. Preconceito, corrupção e falta de ética são venenos que ainda e infelizmente estão minando o nosso país.

Parabéns àqueles que não abrem mão de seus valores, que questionam, que promovem o desenvolvimento social (não estou falando de políticos ou de administradores públicos e privados, mas de pessoas simples e anônimas de nosso povo).

sexta-feira, maio 12, 2006

A alma e a matéria

"E a alma aproveita pra ser a matéria e viver"

A alma e a matéria
Composição: Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes






Incenso Fosse Música

isso de querer ser
exatamente aquilo que a gente é
ainda vai nos levar além

Paulo Leminski
(in "Distraído Venceremos" Ed. Brasiliense, 1987)


escultura: Camille Claudel

quarta-feira, maio 10, 2006

O pão, a farinha, feijão, carne seca, limão, mexerica, mamão, melancia, a areia, o cimento, o tijolo, a pedreira quem é que carrega? Hi-ho


Eu tive o privilégio de assistir a peça Os Saltimbancos nos anos 70. Era uma criancinha, mas me lembro até hoje dos quatro bichos, cada um diferente do outro, se unindo para arreganhar o patrão opressor e explorador. Esta peça me fez muito sentido de maneira emocional e intuitiva. Hoje posso desfrutar de interpretações, reflexões, saborear as palavras e as músicas desta peça tão linda. Não é raro esta peça estar em cartaz em São Paulo... para quem tiver a oportunidade, recomendo, mesmo para adultos. É uma peça sensível, bem-humorada, com músicas maravilhosas, não tem como não gostar...
E para quem não puder ir ao teatro, conheça as músicas. Existe até um CD...

Todos: Caramba, caramba, como é que é
Eu acho que é hora de dar no pé
Pra quem não quiser entrar de gaiato
O melhor negócio é dormir no mato
.
Jumento: Porém, porém, já tou fulo da vida
Ter toda razão e nenhuma comida
.
Cachorro: A minha barriga não se acostuma
Ter toda razão e comida nenhuma
.
Galinha: Porém, porém, já me sinto aflita
Me sinto assada, acho que tou frita
.
Gata: É já, é já, vamos sentar a pua
Botar os safados no meio da rua
.
Todos: Quatro juntos braços dados
Damos o fora nesses safados
Braços dados juntos quatro
Chutar os safados pra fora do teatro
Dados juntos quatro braços
E esses safados já tão no bagaço
Quatro braços dados juntos
E esses safados vão virar presunto
.
http://os-saltimbancos.letras.terra.com.br/letras/275209/
http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/375181.html

terça-feira, maio 09, 2006

A danada da caveira arregalou o cu para mim

Gente, não sei se vocês já repararam, mas tem uma propaganda de um perfume muito famoso e muito caro exibindo um reclame na televisão com uma mulher muito esquelética... Ela sai de um carro ou um ônibus, entra no metrô, anda na rua, pula, dá risada...
Nossa, eu fico tão horrorizada de vê-la, porque ela é muito muito muito magra! Os ossos ficam aparecendo, contornando o ombro, mostrando os ossinhos da mão, e quando ela ri a gente percebe o formato de sua caveira, os olhos fundos.
Em que universo esta mulher pode entrar assim na tv como um modelo de beleza e bom astral?? Vixe, ela é muito feia e muito ossuda. Antes deveria estar fazendo uma campanha contra a miséria ou mostrando efeitos da guerra...
Putz, eu fico chocada cada vez que essa propaganda é transmitida...

segunda-feira, maio 08, 2006

Pássaro voa e vai pela beira do rio

Ninguém associa um passarinho a um ser neurótico. Mais fácil imaginá-lo feliz, livre e sapeca. Não é relaxante sentar embaixo de uma árvore para ver passarinhos e escutar os seus piares? Mas tente chegar perto de um para ver o que acontece... ele foge! Este é um exemplo de um bichinho esperto, como é esperta a natureza. Sempre analisando o que está acontecendo em sua volta, aproveitando do mundo e precavendo a existência. Esta atitude não o impede de ser audacioso em manobras radicais, em voôs bem altos, em arriscar um pouso na rua para beliscar uma migalha de pão. Uma reflexão que deixo para nós. Não é necessário se estressar na prevenção. Faz parte do que somos estarmos nos protegendo sempre. Física e emocionalmente...
Pequenas coisas da vida, como uma companhia agradável de alguém, são tão importantes quanto o sucesso que estamos empenhados em conseguir.
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Foto: Madalena Grenier

sábado, maio 06, 2006

Eu ando pelo mundo prestando atenção

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Tem dia que parece que se está vivendo um sonho. O que a gente vê parece mentira, e se contarmos a alguém com todos os detalhes, é capaz que passemos por mentirosos.
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S U R R E A L é mais real do que se pensa.
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Imagem: Pintura de Salvador Dalí - Paysage aux Papillons

sexta-feira, maio 05, 2006

Alma, deixa eu ver sua alma, a epiderme da alma, superfície

"Catarse - Termo utilizado por Aristóteles em sua Poética como objetivo final da tragédia. A palavra já era empregada na religião grega para indicar a purificação prévia e indispensável de um ritual olímpico; na medicina, como purgativo de humores maléficos e, na filosofia pitagórica, como retorno ao equilíbrio espiritual pela audição de música. No teatro, passou a significar o reconhecimento do "terror", experimentado pelo herói trágico (a ameaça à sua condição humana) e da "piedade", a aceitação de seu destino. É uma forma de conhecimento pela dor, cuja experiência conduz à purificação, ao alívio das tensões e à renovação moral. O reconhecimento das situações (anagnorisis), provocado pela catarse, cumpriria o papel, ao menos teoricamente, de transformar a ignorância em conhecimento, além de ser uma das fontes do prazer estético, na medida em que esta sensação é passível de ser recolhida diante do espetáculo oferecido pelo 'outro'."
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"Catarse é o método que visa a eliminar perturbações psíquicas, excitações nervosas, tensões, angústia, através da provocação de uma explosão emocional ou de outras formas, e baseando-se na rememorização da cena e de fatos passados que estejam ligados àquelas perturbações. Ajuda o indivíduo a obter controle emocional e a enfrentar os problemas da vida. De acordo com Aristóteles, a palavra catarsis significa 'limpeza da alma'."



"Aliás, a catarse está ligada intimamente ao início da Psicanálise de Freud."
"Essa memorização e essa descarga emotiva tem efeito purificador, livrando a mente do indivíduo do problema, ou seja, trata-se de uma purificação que traz cura - daí a denominação de método catártico."
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"Poética: mimese e catarse. Mimese recriar as coisas segundo uma nova dimensão, baseado nas
possibilidades dos seus desdobramentos. Catarse é a purificação das paixões possível através da tragédia e a música, encaminhando-nos assim à libertação e ao nosso bem maior: a felicidade."
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(Rosely que chora que nem louca e depois ri que nem louca ao ver uma cena qualquer, se sentindo muito aliviada em sua alma sem ao menos saber no que ou por que)
Imagem: escultura de Camille Claudel

quinta-feira, maio 04, 2006

Cinderela! Cadê meu pão com mortadela?


Um dia eu vou entender por que alguém que não tem casa própria
investe seu dinheiro num carro que vale uma casa.

quarta-feira, maio 03, 2006

Alô, alô, W/Brasil

Sem dúvida, estamos na era das embalagens. O consumidor em via de regra se leva a crer que há qualidade em marcas consolidadas e em embalagens grandes, modernosas, coloridas e de grande impacto. Os designs são arrojados, com frases de efeito, com ilustrações. Embalagens dentro de embalagens, tudo embrulhado separadamente. Um enorme desperdício.

Quando comecei a separar os materiais reciclados do lixo, percebi que o volume de materiais recicláveis é muito maior. Papéis e plásticos gastos inutilmente. E também há o agravante de as empresas preferirem optar por materiais não-recicláveis ou não-aproveitáveis. Isso eu acho péssimo. O fator meio ambiente tem pesado na decisão dos consumidores, mas pelo jeito não tem sido decisivo ainda.

Fico frustrada ao perceber que o produto por vezes ocupa quase metade da embalagem a ele destinado. Quando há opção, prefiro os produtos com economia de embalagem, mas infelizmente isso não é possível na maioria das vezes.

Eu recomendo um trabalho de separação do lixo. Não é só um exercício de cidadania, é também um questionamento sobre os produtos que consumimos em casa. Eu comecei a notar mais as informações, se há o selo de reciclável, a data de validade, os ingredientes (passei a evitar mais os produtos com gordura vegetal hidrogenada, por exemplo). E nem sempre as embalagens mais bonitas e chamativas apresentam um produto melhor. Mais produtos químicos e artificiais, mais corantes e conservantes, menos propriedades nutricionais. A empresa, com suas exceções, pode estar gastando mais com publicidade do que com o produto. Não nos deixemos enganar pelo glitter.

E se não há em sua rua um trabalho da prefeitura de recolhimento de reciclagem, procure se informar onde você pode entregá-lo. Vai se surpreender com a facilidade de encontrar um lugar de encaminhamento no seu bairro.
E não pense que reciclável é lixo e não ajuda ninguém. A cooperativa Reciclázaro (http://www.reciclazaro.com.br/) é um exemplo do que o reciclável pode fazer pela vida de inúmeras pessoas. Uma organização séria. Um exemplo de sucesso. Pessoas que saíram do abandono e da miséria e hoje trabalham com dignidade.

E já que eu toquei no assunto de qualidade de produtos, vou dar aqui outra sugestão: experimente de vez em quando as marcas desconhecidas. Eu já encontrei produtos muito bons e muito mais baratos assim. Desconfio de promoções sugestivas. Vou dar um exemplo: outro dia cheguei em um supermercado para comprar leite condensado. A marca mais famosa estava com um bom desconto. Dez centavos a menos que a marca mais barata, uma marca nova no mercado. Levei o produto desta marca desconhecida, que obviamente estava encontrando uma concorrência desleal. Por que, justo naquele dia, a marca mais famosa estava com um preço tão barato daquele jeito? Para evitar a venda da outra? Teorias de conspiração. Talvez paranóia, talvez efeito de um sistema interessado em um hiper-lucro desmedido e controle total de mercado.
Outro questionamento: vocês já repararam que há produtos de nomes diferentes, mas de uma única empresa por detrás? Observem as pastas de dentes, os sabonetes...

terça-feira, maio 02, 2006

Mora na filosofia

Eis algumas capas de discos que foram lançados no ano de meu nascimento: 1972. Infelizmente alguns artistas muito bons não se lançaram neste ano, mas mesmo assim há um material interessante...

































sábado, abril 29, 2006

Seja silvestre preste ou não preste



Meu blog completou 100 visitas!!
Achei que seria uma boa hora para comemorar...

Obrigada por acessar!!!!

Desde que o Samba é Samba

Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso



A tristeza é senhora,
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura,
a noite e a chuva que cai lá fora

Solidão apavora, tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece, no quando agora em mim

Cantando eu mando a tristeza embora

O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer, veja o dia ainda não raiou
O samba é o pai do prazer, o samba é o filho da dor
O grande poder transformador

sexta-feira, abril 28, 2006

TECHNOLOGY

Quando entrei na faculdade, já tinha visto um computador. Este porém era um instrumento totalmente desconhecido enquanto eu ainda estava no colégio - era uma apenas uma máquina fantasia, grotesca, grande, cheia de botões e luzes. Só a partir do terceiro ou quarto ano que comecei a entregar meus trabalhos digitados, em um programa chamado formax, acessado direto do doss. O segundo programa que conheci foi o lótus.
Eu já beirava os vinte anos quando vi o primeiro celular. Era um tijolo, e só gente rica que tinha. Pegava mal. Era caríssimo.
Nos meus tempos de ginásio, quase ninguém tinha máquina fotográfica. E quem tinha não tirava fotos o tempo inteiro, era só em ocasiões especiais: em aniversários (nem todos), em comemorações (nem todas) e em viagens (nem todas). Por isso tenho poucas fotos minhas e quase nenhuma de meus amigos.
Filmadora VHS, então, só vi no colegial. Um ou outro que tinha.
Eu não tinha vídeo cassete quando era criança. Telefone de disco. Não existia TV a cabo nem internet. Escrevi muitas cartas para meus amigos e recebia cartas de vez em quando.
Nem telefone a gente usava direito, o uso era regulado.
Eu me lembro do lançamento da TV Manchete, assistia Banana Split e quando já grandinha a Turma do Balão Mágico, eu me lembro de meus tios com calças bocas de sino e de ter entrado em ambientes decorados em estilo anos 60.
Fui fã do Michael Jackson negro, do Menudo e me lembro de quase todos os artistas coroas na tenra idade.
Vivi a moda new age, com calças verde-limão, brincos amarelo maiores que a orelha. A maquiagem dos anos 80 era horrível e usei muito batom rosa-choque. O auge dos anos 80 era o moletom.
Eu me lembro do Tancredo Neves morrendo, do Figueiredo na TV, do Delfim Neto, do Paulo Maluf bem mais jovem.
E da entrada do Fantástico quando ainda eram umas mulheres cercadas de formas circulares.

Não estou nostálgica, não. Estou querendo chegar no seguinte: não sou menina. Já fui. Sou dos tempos ultrapassados. Tudo na vida mudou, até os costumes, embora ainda tabus possam valer mais que informações objetivas.
Não quero usar calça cintura baixa, não almejo blusinhas que uma garota de 15 anos usaria, não quero nada disso.
Eu me orgulho dos primeiros cabelos brancos, são marcas que os tempos passaram. Aproveitei o que tinha de ser aproveitado. Fui no playcenter, namorei, tive o primeiro beijo, o primeiro fora, o primeiro tudo. Agora quero aproveitar outras coisas. Vou ser ultrapassada em algumas, é natural. Nem por isso deixo de me acostumar com as novidades, principalmente da tecnologia.

Carpe diem!: não importa a idade. Cada safra de vinho traz o seu encanto. Não desprestrigiemos a experiência, vale muito mais que o ímpeto da juventude, na minha opinião.
Deixemos para trás o que não nos serve mais. Roupas a gente troca. Armários, móveis, a casa toda. Deixemos para trás as tristezas e mantenhamos sempre as boas lembranças, porque bom ou ruim, tudo o que vivemos faz parte do que somos.

Coragem para a vida. Desafios o tempo todo. Padrões internos e externos existem para serem adequados aos novos tempos...

quinta-feira, abril 27, 2006

Tãram tam tam tãram tãtãtãtãããã tãrãtantantam...


Não é o máximo a pantera cor-de-rosa?


Há pouco tempo eu já tinha conversado sobre isso com um amigo, super fã da pantera cor-de-rosa. Mas por esses dias eu reparei que também gosto e muito dela. Vendo alguns desenhos, não só dei muita risada como percebi que provavelmente era um de meus desenhos animados preferidos. Isso porque não via muita TV e quando vejo desenhos antigos não tenho tantas recordações. É mais ou menos assim: vou assistindo e recordando ao mesmo tempo. Às vezes me lembro de uma cena somente depois de ela ter acontecido. Às vezes me lembro da cena seguinte antes de ela acontecer.

Mas muitas coisas me chamam a atenção.
Primeiro que a pantera cor-de-rosa não é menina. É o senhor pink.
Segundo que tudo o que acontece é inesperado, não há uma fórmula. A pantera é completamente livre nos espaços e nos tempos, para fazer o que quiser. E está sempre conquistando o seu espaço, no bem da verdade. O final nem sempre é feliz. Em um episódio ela se dá bem, no outro ela se dá mal, no outro ainda todo mundo se dá bem ou todo mundo se dá mal.
Terceiro que ela é politicamente incorreta e muito bem com a vida. Ela fuma, ela corta árvores da floresta, ela esmaga patinhos meigos, arranja empregos fuleiros, se livra de gatinhos chatos. Mas não deixa de ser uma "boa pessoa" por isso. Tudo o que faz é autêntico e espontâneo.
Fora que os inesperados são muito engraçados. Uma porta abre para outra porta igualzinha. Os ambientes são coloridos. Ela tenta deixar tudo cor-de-rosa, apesar de ter um baixinho invocado tentando pintar tudo de azul.

E as músicas... bem, um show à parte.

quarta-feira, abril 26, 2006

MInha jangada vai sair pro mar


Faz de conta que hoje estou cantando para vocês (não tenho ido ao coral nestas últimas semanas e tenho me sentido frustrada por isso).


Também não tenho ido muito ao mar, fico nostálgica...






Suíte do Pescador
(não consegui confirmar se a composição é de Dorival Caymmi)


Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Adeus, adeus
Pescador não se esqueça de mim
Vou rezar pra ter bom tempo, meu bem
Pra não ter tempo ruim
Vou fazer sua caminha macia
Perfumada de alecrim
Falar em alecrim, não é bom um ambiente aromatizado de alecrim? Vou fazer sachês de alecrim para colocar pela casa...
Alecrim dourado
Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Foi meu amor que me disse assim:
"Que a flor do campo é o alecrim".

sábado, abril 22, 2006

Hoje o mundo inteiro bate palmas pra você!!!


Gente, surgiu um novo blog aí que promete chegar para ficar. Informação e opinião são marcantes no primeiro post. Estou já ansiosa para conferir os próximos textos. Não, não é de um jornalista famoso nem de um companheiro meu de pós-graduação. É o blog do Alexander Almeida, meu querido sobrinho, que ontem adentrou o mundo virtual dos blogs com audácia e atitude.

Não vou falar mais nada. Tem que entrar para conferir. Depois que vocês lerem o texto dele, comprovarão o que se chama de FORÇA JOVEM!!


Parabéns, Alexander!!!
Continue assim que você vai longe!!!
Felicidades de quem muito te ama e te admira... (Eu mesma, a Rosely)


Senhoras e senhores, com vocês: www.alexanderalmeida.blogspot.com
Visitem e participem!

quinta-feira, abril 20, 2006

Para não dizer que não falei das flores

Confesso: casei no papel. Anos depois de já casada efetiva e afetivamente. É um papel meio caro, mais que R$ 300,00 a versão mais barata. Um direito cível. Através deste papel, estou abrindo possibilidades de outros direitos. Um papel dispensável, lógico. Fui lá no cartório e assinei porque vi algumas facilidades viáveis deste mundo prático e burocrático. Não recomendo nem descomendo.
Não casei na igreja. Não sou católica e apesar de algumas pessoas de minha religião preferirem alguns rituais, eu e o Márcio dispensamos. Se ele quisesse, se fosse seu sonho, eu o faria. Compareceria feliz e de bom grado.
Não me vesti de noiva, não tenho álbum de casamento, não tive lua de mel, não tenho data para comemorar os nossos anos de casado e nem me faz falta. Não recomendo nem descomendo.
O que é bom para um não é para outro, e em negócio de casamento cada um deve buscar o seu desejo. Que se não for algo vazio e pelas aparências ou pela sociedade, tanto melhor. E se não for, também, qual o problema? Não temos, cada um, um sonho de consumo? Cada um que faça o que bem entender, se não estiver prejudicando a ninguém nem a si mesmo.
Não é uma aliança que estabelece fidelidade, não é uma convenção que rege as regras do coração nem promessas que garantem a união eterna. Se não se doa, não se cria intimidade, com ou sem rito.
Que seja eterno enquanto dure, como nos diz o poeta. Que se durar a vida toda, tanto melhor. Se não durar também, qual o problema? Tão bestas os tabus de nossa sociedade, ninguém sabe o caminho que vai nos levar à felicidade. Quem sabe sós. Separação é difícil, mas é melhor do que viver uma mentira. A gente supera mais fácil as cartas na mesa (eu pelo menos sim).
Após tanto tempo juntos, o Márcio continua sendo minha família, meu marido, meu noivo, meu namorado, meu amado, meu amigo. Enquanto assim for, estaremos juntos. Espero que pela vida, porque o divórcio é muito mais caro.

Faça amor, não faça guerra.
Paz e amor para vocês!

quarta-feira, abril 19, 2006

And I do appreciate you being around

Ringo, em seu início de carreira junto aos Beatles*, ficou gripado e com amigdalite. Não pôde acompanhar o grupo em uma turnê. Foi substituído naquela estação. Ao ser questionado sobre o que sentiu na época, já marmanjão, respondeu: "Sim, eu me senti deixado de lado... Pensei que eles não gostassem mais de mim..." Juro que ele ainda fez biquinho ao proferir estas palavras.Por estas e outras, Ringo é o meu Beatle preferido! Por se firmar humano, vulnerável como todos um dia nos sentimos. Já ouvi alguém dizer que Ringo levou a melhor por se filiar a três gênios, saiu com a fama melhor do que se tivesse feito carreira sozinho. Mas será que os Beatles seriam os Beatles sem a sua batida impecável? Seu jeito inédito e pessoal de marcar as batidas? Sei lá. Pergunta sem resposta. Mas o fato é que Lennon, Paul e George procuraram pelo melhor baterista de toda Liverpool e o encontraram. Ringo retornou ao grupo depois de ter tomado muito sorvete e talvez alguns anti-inflamatórios. E aconteceu tudo o que aconteceu depois.

Sim, o que seria de nós sem os nossos amigos. Rendo homenagens àqueles que conheci, mesmo aos que me esfaquearam pelas costas. Até o momento em que me mentiram e me estelionataram, contribuíram para eu ser a pessoa que sou. Se pensarmos bem, até as decepções nos ajudam a sermos o que somos.
Ultimamente tenho reencontrado, ao vivo e virtualmente, muitos amigos que não via há anos. Anos luz. Bons amigos. Pessoas que esperava reencontrar. Pessoas que imaginava que nunca mais ouviria falar. Nem sei se consigo descrever esta sensação, a de resgatar as lembranças, as presenças, as cumplicidades, os afetos. Resgatar a minha vida, praticamente, a minha estória, tudo o que aconteceu comigo. Encontrar estes rostos do passado me afirmam que tudo o que se passou não foi um sonho, não foi uma vivência que passou e acabou. Não é incrível conversar com alguém e sentir o mesmo carinho, os mesmos sentimentos? Isso só pode significar que este conjunto de sensações não são irreais. Quando a gente gosta de alguém, quando nosso coração bate mais forte em alguns momentos, ou quando nos sentimos mais seguros, mais à vontade, mais felizes ao lado de nossos amigos, nada disso se perde. Estará sempre conosco. É como passar por uma escola e nunca esquecer o que estudamos (ao contrário do que acontece com tudo o que estudamos, hehehehe). Estou me sentindo muito real, com uma bagagem repleta. Nenhum reconhecimento poderia ser melhor: as pessoas com quem conversei se lembram de mim. Lembram-se de episódios. Lembram-se de fatos. Estiveram lá, comigo. Não todas, lógico. Mas ninguém precisa reconhecimento do mundo inteiro. Uma pessoa só de um grupo de mil já é pedra preciosa mais valiosa que o resto.

É, Ringo... o que seria de nós, mortais, sem os nossos amigos?




*Que me perdoem os ficcionistas de Beatles, mas eu também me arrisco a comentar sobre eles, apesar de não ser autoridade no assunto... Não sou enciclopédia beatle-maníaca, mas também sou fã.

terça-feira, abril 18, 2006

E hoje eu vou te mandar para Portugal de Navio

Fala sério, alguém aí ainda se escandaliza diante notícias de corrupção? Por acaso impunidade é escândalo? Onde estão as novidades do noticiário?
Corrupção todo mundo sabe que existe, todo mundo vê.
Está no governo, está na sociedade. Está nos fiscais, nas empresas, nas pessoas.
Não é o maior problema atual, a falta de ética? Porque este problema leva a um monte de outros que enfrentamos corriqueiramente: a pobreza, a desigualdade social, a fome.
Sem essa de estar escandalizado porque este ou aquele está envolvido em CPI aqui ou acolá.
O que cada um pode fazer contra a corrupção é não ser corrupto... simples, fácil e eficiente!!

sexta-feira, abril 14, 2006

Troque seu cachorro

Hoje vou falar mais um pouquinho dos cachorros...
Como se sabe, infelizmente há muitos cachorros abandonados na USP.
Mas os cachorros parece que ficam alheios a esta condição de abandonados e por vezes formam matilhas, curtindo uma verdadeira vida selvagem.
Durante o dia, passeiam para cá e para lá. À noite, reúnem-se. Eu e o Márcio mais de uma vez já ficamos cercados de cachorros, à pé ou de carro, principalmente perto do Crusp.

Outro dia eu estava na porta do Cepeusp (o clube) e presenciei umas cenas curiosas: um cachorro vinha andando pelo estacionamento, ia direto para a entrada do cepê. O guardinha batia o pé, espantado o cachorro seguia em frente. Dali a pouco outro cachorro, seguindo o mesmo percurso, como uma formiga. Novamente a batida de pé. Alguns minutos, outro cachorro... Caramba! Os cachorros fazem tudo a mesma coisa... o mesmo caminho, a mesma expressão na cara, a mesma língua de fora... Se não fossem de tamanhos e cores diferentes, ia pensar que estava com febre, tendo delírios, ou vivenciando uma brecha quântica do tempo, o déjà-vu.
Mas de vez em quando vejo um cachorro para dentro do clube. Antes de ontem, eu e o Oluemi (meu irmãozinho de mestrado) estávamos tomando um Mupy na lanchonete, uma cachorrinha prenha ficava fazendo gracinhas ao nosso lado. Inclusive uma vez eu estava sentada por ali mesmo, distraída vendo um pessoal correndo na pista de atletismo logo após o gramadão. Qual a minha surpresa quando vejo correndo também um cachorro, na mesma direção e no mesmo ritmo. Acho que ele entendeu a necessidade de se exercitar.

Mas os episódios mais engraçados ficam por conta do teatro. Lá na ECA todos os fins de semana tem apresentações gratuitas, montagens dos alunos de artes cênicas e da EAD.
Uma vez fui assistir a uma apresentação dirigida por um amigo meu. Retiramos o ingresso, mas a entrada não foi permitida, ficamos para fora do prédio inclusive. Em seguida percebemos o porquê: alguns atores vieram andando pelo pátio, encenando uma procissão. O primeiro ator, muito alto, vinha vestido de um hábito longo e com capuz. Trazia na mão uma espécie de chocalho, que ele balançava e fazia ecoar um som metálico: blém, blém, blém, blém... Este início nos transportou para um ambiente litúrgico, cuja seriedade das expressões nos transmitia dor, talvez de um funeral.
Mas de repente apareceu um cachorro latindo, atraído pelo barulho. Ficou latindo para o ator. E não foi o único, começou a sair do mato um monte de cachorro, que latiam até ferozmente para as pessoas. Não pude conter o riso. Este imprevisto não estava no roteiro, mas os atores seguraram o medo e o espanto e não saíram das posturas assumidas. Depois entramos todos para o teatro, assistimos a peça e esquecemos os cachorros.
Mas houve uma outra apresentação ainda mais inusitada.
Foi numa vez que fui assistir a uma peça chamada Ping. A apresentação foi em um gramado atrás da faculdade.
O público todo de pé, olhando para o ator, que dizia umas frases sem sentido e repetia algumas palavras sem muito nexo. Tudo indicava um tédio total do início ao fim. Mas aí apareceu a cachorrinha, que se aproximou do ator e começou a latir para ele. Ficou muito engraçado: o ator falando, a cadela latindo. Do nada ele começou a correr pelo gramado, contornando-o. Óbvio que a cadela foi atrás. Ficou engraçadíssimo. Parado de novo, falando de novo, o ator voltou para o ponto de partida, repetindo novamente as frases e as palavras. A cachorrinha ficou ao seu lado, olhando para o público, que por sua vez só olhava para ela. De repente ela começou a latir, mas desta vez para nós. Ninguém estava entendendo o que havia motivado tal reação, mas logo percebemos que o guarda havia aparecido. Não teve jeito: o guarda teve que se esconder. Mas acho que ele estava meio curioso quando à peça e aparecia de vez em quando, e a cachorrinha não hesitava: latia todas as vezes que o via.
Então apareceram outros atores, trazendo alguns objetos cênicos, uma mesa. Nem por isso a peça melhorou: tudo esquisito e entediante. Trouxeram uma bacia de água que ficou bem no meio do gramado. A cachorrinha não teve dúvida: foi lá e bebeu água. Passou por cima da bacia. Voltou. Bebeu mais água. A estrela da peça. Passados alguns minutos, chegou uma outra atriz que sentou na bacia, se molhou toda com a água, jogou água para cima. O público mal continha a risada. Nossa vontade era gargalhar... Ai, cachorrinha, ainda bem que você estava lá. Salvou a minha noite.
Mas eu não fiquei para conferir o final da história. Estava muito chato.
Espero que a cachorrinha tenha sido bem aplaudida.

Quanto ao título deste post, não estou convidando as pessoas a trocarem o cachorro por uma criança pobre, não. Esses bichinhos safados são uma alegria para nossa vida. As leis de maltratos a animais deveriam ser mais rigorosas e mais ativas. Alguém que maltrata animais só pode ser doente e necessitado de ajuda psiquiátrica.
Por isso, sugiro uma alteração na música:

Uauuu, Uauuu, Uauuu... Ahhh...
Uauuu, Uauuu, Uauuu... Uhhh...
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau

Adote seu cachorro... aúúú...
Adote seu cachorro e uma criança pobre...

(Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre
(Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre...

http://eduardo-dusek.letras.terra.com.br/letras/117822/

Leão! Leão! Leão! Rugindo como um trovão!


Quem é leão tem que ser leão.

Há por aí pela cidade um conjunto de dois out-doors.
O primeiro apresenta um leão de juba como ela é em sua plenitude: armada, grande, exuberante.
O segundo mostra um leão com o cabelo lisinho e penteado, gravura que nos faz rir.
Deve ser propaganda de um shampoo, creme de pentear ou similar que pergunta: 'cabelo armado e com friz?' e promete uma "solução", ou seja, tira o volume e alisa. Anuncia-se um produto que vai transformar o cabelo e a aparência. Como se cabelo armado e com friz fosse uma característica ruim, um defeito a ser "arrumado", "consertado". Não é à toa que a gente ri do leão penteadinho, porque esta imagem remete ao cômico, ao ridículo.
É descabido que justo o leão, o rei da selva, tenha problemas de auto-estima e não goste da própria juba. A juba é o seu orgulho, a sua diferença, a sua marca de poder e de beleza. Alguém consegue imaginar um leão que chora com pente na mão diante um espelho porque seu cabelo não diminui de volume? Eu pelo menos só consigo imaginar um leão que exibe sua juba pela floresta, com a cabeça erguida. Imagino, inclusive, a cobra venenosa morrendo de inveja. Porgue não tem juba exuberante, não tem como se destacar à longa vista.
Deixemos estas línguas de cobra para lá. São maldades que tentam sem êxito destituir o leão de seu trono. E que se o leão quiser alisar o cabelo para testar as suas possibilidades de ser e estar no mundo, tudo bem. Mas que não odeie a sua juba armada e com friz, porque ela é linda, é maravilhosa.

Quem é leão tem que ser leão.

quinta-feira, abril 13, 2006

Há um mundo bem melhor...

Queridos leitores,
Gostaria de relatar aqui as minhas boas experiências que tenho tido nos meus cursos de ginástica.
Primeiro tenho me disciplinado mais a ouvir meu coração, medindo as pulsações antes e depois de cada caminhada. Ele anda muito acelerado. Não tão acelerado demais para ser anormal, nem não acelerado de menos para ser normal. Ouvir o que o corpo tem a nos dizer é importantíssimo, porque ele é que mede os efeitos de nossas atitudes e decisões. Se estamos ultrapassando algum limite do que somos capazes de suportar ou lidar do que nos acontece no dia a dia, nosso corpo nos dá um sinal. Eu tenho tentado entender que tenho ultrapassado um pouco estes limites, e que preciso ser mais mansa comigo mesma. É impressionante o quanto podemos fortalecer os nossos medos, as nossas exigências, as nossas limitações. Mas lembremos que tanto quanto nos maltratamos podemos nos amar. O poder de nos permitirmos a alegria, a satisfação, a paz é igualmente ou mais ainda possível. É só inverter a polarização. Não nos decepcionemos diante o medo. Não nos envergonhemos diante a limitação. Não nos exaltemos diante a tristeza. Concentramos em nossa natureza humana o bem e o mal, o certo e o errado, o positivo e o negativo. Equilibrar não é anular o que não gostamos de nós mesmos, é apenas aceitarmos. Não há vida sem desafios, todo mundo sofre e é feliz de algum jeito. Falo para mim, mas acredito que muita gente também precisa pensar sobre isso...
Segundo tenho me colocado em posições que crianças fazem naturalmente: se jogar no chão, rodar um bambolê, deitar com pernas cruzadas, pular que nem sapo. Tenho descoberto que imitar posturas que as crianças fazem toda hora (e que nós fizemos muitas e muitas vezes) libera os nossos desejos mais secretos. Tudo o que sonhamos quando crianças e que vamos calando e silenciando e reprimindo durante a vida. Como é gostoso tentar colocar o pé na barriga, levar o ombro ao joelho, jogar a cabeça lá para trás. A gente precisa se lembrar mais de liberar a nossa criatividade, a nossa informalidade, a nossa inocência. As crianças brigam entre si, daqui a pouco já são amigas. As crianças choram porque querem chocolate antes de comer, daqui a pouco sentam e pintam um barco no papel. As crianças fazem birra porque querem um brinquedo que viram na TV, daqui a pouco estão distraídas com um passarinho colorido que pousou no fio da rua. Isso que a gente tem que resgatar: esta habilidade de lidar com as frustrações, esta naturalidade de se aceitar o mundo do jeito que é.
Ser feliz também é ser feliz no corpo.

Mens sana in corpore sano.

sexta-feira, abril 07, 2006

Abelha fazendo mel vale o tempo que não voou


E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver

Convido todos a refletir sobre a letra desta música (podem ouvi-la na íntegra: http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=amor+de+%EDndio¶m1=homebusca&check=musica ).

Sem medo de descansar...
Sem culpa de pôr os pés para cima...
Com uma musiquinha ou com silêncio...
Com muita alegria no peito!!

R E L A X A R ! !
Fazer algo muito bom para si mesmo...
Se dar um presente...
Cuidar do corpo e da mente...


Respire!

quarta-feira, abril 05, 2006

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos


Este quadro (descrição abaixo) mostra um detalhe muito importante. Reparem nos cavaleiros, que arrancam uma insígnea da manga de suas camisas. Eles rasgam uma marca da Inglaterra, que representava a dependência econômica de Portugal para com este país. Para reconhecer a "Independência" do Brasil, Portugal transferiu sua dívida com a Inglaterra à ex-colônia. Ou seja, o Brasil já nasceu com dívida externa 'importada'. Pensando assim, este quadro não está representando a independência de Portugal? Enquanto D. Pedro gritava: Independência ou morte, o que falavam os cavaleiros portugueses: finalmente livres?




"O Grito do Ipiranga" (1888), atualmente no salão nobre do Museu Paulista da USP, é a obra mais divulgada de Pedro Américo. O nome original dessa tela é "Independência ou Morte", vulgarizada como "O Grito do Ipiranga"(mede 7,60 x 4,15 m). Trata-se de uma tela retangular que mostra Dom Pedro I proclamando a independência do Brasil. Atrás deles estão seus acompanhantes: à direita e à frente do grupo principal, num semicírculo, estão os cavaleiros da comitiva; à esquerda, e em contraponto aos cavaleiros, está um longo carro de boi guiado por um homem do campo que olha a cena, curioso. Movimento e imponência fazem o gesto de Dom Pedro I, na concepção do pintor, um momento privilegiado da história do Brasil. Essa obra foi encomendada pelo governo imperial, antes que o Museu do Ipiranga existisse. (http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/artes/arte_brasileira/grito_ipiranga.htm)



"Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Essa dependência acentua-se com a vinda de D. João VI ao Brasil, que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal, para entrar na esfera do domínio britânico. Para Inglaterra industrializada, a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados, tanto fornecedores, como consumidores. Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade), Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês."

"É claro que D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócio-econômica colonial. Contudo, o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal."

"A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos."

(http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=3)


"A dívida externa foi a solução encontrada. Na interpretação de Viotti, apesar da 'simpatia discreta da Coroa Britânica', (o) reconhecimento da Independência exigiria não obstante um esforço penoso junto ao governo inglês que agiu como mediador entre Portugal e Brasil. A anuência de Portugal à Independência só foi obtida depois que o Brasil concordou em assumir a dívida de dois milhões de libras esterlinas de um empréstimo feito por Portugal em Londres. (op.cit, p.122)"

(http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/c_deak/CD/3publ/91ace/index.html)


Leia também: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/

terça-feira, abril 04, 2006

R E A A A A A L C E

Sem bem entender por que, algumas particularidades ou cenas simples que vemos no nosso cotidiano podem nos fazer rir sem motivo muito aparente. Ontem eu presenciei uma dessas cenas. E ri bastante.
Estava no ônibus, na Theodoro Sampaio, por volta das 19h30.
Ao passar por uma loja de móveis, vi imóvel um senhor sentado em um requintado sofá branco encostado na parede. Uma das mãos pousada no joelho, a outra no braço do sofá. Seu olhar sério mirava o horizonte (ou o outro lado da loja) e sua cabeça estava um pouco inclinada para cima. Em seguida, percebi que ele estava nesta posição porque havia um outro homem tirando sua fotografia.

Será que era o dono da loja ou somente um visitante que gostou da mercadoria??

segunda-feira, abril 03, 2006

Deixa a tristeza pra lá, vem comer

Todos os títulos deste blog são trechos de músicas... uma pequena brincadeirinha que faço com meus leitores...

Este título, por exemplo, é da música Não existe pecado ao sul do Equador, que escutei ontem no documentário de Chico Buarque apresentado no canal a cabo.
Em uma entrevista, Chico descreveu como foi a sua emoção de ouvir pelo rádio a final da copa do mundo (só não me pergunte de qual ano que eu não me lembro) ocorrida no Brasil, entre o time brasileiro e o time uruguaio. Nesta ocasião, o Maracanã tinha acabado de ser construído (especialmente para a Copa) e era o maior estádio do mundo. Narração do primeiro gol: Gooooooooooooooooooool do Brasil!! O Maracanã quase vem abaixo!!! - Chico imaginou que o Maracanã estava mesmo todo a tremer, porque escutava os ruídos de fundo do povo gritando e achou assustador...

Curioso, não? E ele nem imaginava nesta época que teria como fãs um número muito muito muito muito maior do que aquele público que imaginava ao pé do seu rádio. E a propósito, o Brasil marcou o primeiro gol, mas o Uruguai marcou outros dois e ganhou o jogo.

O documentário estava muito interessante. Pena que não deu para eu ver todo... mas ainda hei de assisti-lo em íntegra e contar a vocês outras passagens que me chamem atenção... enquanto isso, podem me contar notícias de Chico e outros artistas que eu não reclamo, não!!

Abraços e obrigada por acessar...

sábado, abril 01, 2006

Ó, mundo tão desigual!! Tudo é tão desigual...



O salário mínimo está R$ 350,00.
Isso quer dizer que um trabalhador ganha, por ano, contando com o 13o. salário, R$ 4.550,00. O que pode ser o rendimento de uma família inteira.

Uma calça jeans de nada na vitrine por R$ 5.000,00 não é uma ofensa???