sexta-feira, junho 01, 2007

Superfantástico amigo

Hoje no supermercado decidi não comprar uma marca de ovos porque a embalagem é de isopor. Comprei uma de embalagem de papelão, reciclável.
E estou reduzindo a quantidade de saquinhos de plástico, daqueles de embrulhar as compras. Esses saquinhos podem ser reaproveitados em casa como sacos de lixo, mas mesmo assim sempre vem muito mais saquinhos do que a gente precisa. Assim, pego do supermercado uma caixa de papelão, onde trago as minhas compras. É bem prático, e depois ainda mando a caixa para a reciclagem.

Fico imaginando a quantidade de coisas boas que as empresas poderiam fazer pelo mundo. As escolas particulares, por exemplo, se recolhessem lápis de cor que as crianças não quisessem mais, ou ainda papéis de rascunho, e distribuíssem em creches, nenhuma delas estaria desabastecida. Creche é outra instituição falida. Algumas ainda recebem ajuda da iniciativa particular, ou seja, ajuda das pessoas mesmo. Mas tem cada uma tão tristinha... nenhum ambiente para crianças deveria se parecer com um hospital triste. Nem hospital para crianças deveria se parecer hospital. Para mim, ver paredes frias e nuas em locais para crianças me corta o coração.

quinta-feira, maio 31, 2007

All you need is love

"Com as baixas temperaturas que atingiram a cidade de São Paulo, a população de rua que evita ir para os albergues da prefeitura enfrenta o frio que já chegou a 5º C. Um morador de rua, com idade aparente entre 45 e 55 anos, foi encontrado morto ontem, na região de Santa Cecília, na região central da cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), apenas o laudo do Instituto de Medicina Legal, que sai daqui 60 dias, poderá dizer se o morador de rua, que não tinha marcas de violência pelo corpo, morreu de frio ou não."
http://br.noticias.yahoo.com/s/31052007/25/manchetes-morador-rua-morrido-frio-sao-paulo.html

Que fique registrado: albergue, pelo menos na cidade São Paulo, é um lugar sinistro, deprimente, cheio de labirintos e improvisos, onde ocorrem estupros, assaltos, espancamentos, não tem funcionário suficiente para oferecer atendimento ou segurança, nada a ver com os albergues americanos que passam nos filmes. Eu sei porque já visitei um e já conversei com mendigos que falam a mesma coisa.

terça-feira, maio 29, 2007

Só quero saber do que pode dar certo


Eu e o Márcio encontramos uma frase para representar a nossa semana: "Se quiser chegar tranquilo, vá com calma!" (risos).

É que neste frio, quando o meu cérebro caminha para o AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH..., a gente tem que recorrer um pouco ao pensamento positivo, por mais brega que ele seja, para melhorar um pouco o humor.

Preciso pensar um pouco também nas coisas boas desta época:

- é bom para comer pipoca, batata quente, sopa, comida mais apimentada... apesar de todo mundo dizer que a fome aumenta no inverno, a minha diminui. Por isso tenho que caprichar mais na comida para acabar não me alimentando direito;

- é bom para o guarda-roupa, porque remexemos em roupas que ficaram lá no fundo o resto do ano e damos uma arejada geral;

- está chegando a festa junina e este é o evento que mais gosto no ano! finalmente algo muito bom do inverno...

- ai, ai, ai, gente! me ajudem a encontrar outras coisas muuuuuuuito boas do inverno para que meu pensamento se fixe mais nos sorrisos do que na minha recusa de viver este frrrrrrrio!!!!!


Estou chamando este tempo de inverno, mas na verdade ele nem começou (AHHHHHHHHHHHHHHH!!!).


Eu sei, eu sei!!! fico muito chata nesta época, meus textos ficam ruins, mas vocês vão ver: eu vou SUPERAR!!! risos

Tô me esforçando!!!

sexta-feira, maio 25, 2007

Pelo menos esta noite, não

Hoje eu acordei, tudo estava gelado por causa da noite muito fria. As coisas estavam, em seu interior, frias. A parede, fria. A comida, fria. A palavra, fria.
Mas ainda bem que veio o sol. Assim tudo pode ser colocado ao descongelamento.
O frio parece que traz uma imobilidade, das coisas e dos pensamentos. Atenta-se a uma expectativa.
Será que morreu alguém na rua hoje? Quantas pessoas na rua dormiram impercebidamente, aspiraram o frio, o frio retirou a vida?
Hoje as pessoas vão sair de suas casas como se nada houvesse acontecido.
Vão sair e ignorar o luto que tanto quanto o frio se espalha pelo ar da cidade.

quinta-feira, maio 24, 2007

O papa é pop, o pop não poupa ninguém...


Ainda mais essa!

O papa vem com a conversinha para cima da gente dizendo que a cristianização das Américas foi um evento pacífico que não alienou os indígenas?

Olha, fica difícil não concordar com o Hugo Chavez quando ele diz que o que houve nas Américas foi muito pior que o holocausto.

Pelo menos o mundo reconheceu as crueldades deste evento tão abominável. Agora o que Europa fez com o restante do planeta, incluindo o Brasil, a África, fica reduzido a um "pouco" de sofrimento, se bobear que muita gente crê "inevitável tendo em vista o preço do progresso, da expansão da civilização"...

Haja paciência para escutar estes absurdos como os que o papa (figura pouco popular, né? pouco influenciador, né?) profere.

É preciso muito "Ave, Maria", viu!

quarta-feira, maio 23, 2007

Pluft, plaft, zum! Não vai a lugar algum!!

Ai, gente, fala sério!
Com este frio, dá vontade de fazer alguma coisa?? Cadê este aquecimento global quando a gente precisa dele???
Assim desse jeito, meu blog não anda!

quinta-feira, maio 17, 2007

Cai, cai, balão...

A música "cai, cai, balão" foi a primeira que aprendi a tocar no violão, durante umas aulas que fiz nos anos 80.
Dizia assim:

"Cai, cai, balão, cai, cai, balão,
Aqui na minha mão...
Não vou lá, não vou lá, não vou lá...
Tenho medo de apanhar!"

Ai se pego aquele que soltou o balão que foi cair justamente em cima do Centro Cultural São Paulo! Por sorte não houve prejuízo na biblioteca, nas salas de teatro ou cinema, na gibiteca, nos espaços de exposição de arte. Mas, francamente, que lugar mais infeliz para cair este balão!

"Dez equipes do Corpo de Bombeiros foram necessárias para controlar um incêndio que atingiu, entre à 0h45 e 1h10 desta madrugada, parte do Centro Cultural São Paulo, localizado na Rua Vergueiro, 1.000, na região do Paraíso, zona sul da capital paulista".
http://br.noticias.yahoo.com/s/16052007/25/manchetes-queda-balao-incendeia-centro-cultural-sao-paulo.html

Hoje eu sonhei que a minha casa estava pegando fogo.

quinta-feira, maio 10, 2007

O rock das aranhas

Hoje eu vi na televisão que apenas 1% das mulheres brasileiras se acham bonitas. Não dá para acreditar que haja assim uma estatística tão triste. Bom, talvez a estatística de que mais de 50% das mulheres não sentem orgasmos seja mais triste.
Mas enfim, é lamentável que existam números assim.
Triste, muito triste.

Mas ainda bem que não estou nestas estatísticas!! HAHAHAHAHAHA

segunda-feira, maio 07, 2007

Vida louca


Antes de ontem eu sonhei com assalto, ontem eu presenciei um assalto. Não houve nada de mais grave: um moço abordou um senhor, arrancou-lhe a corrente, não machucou por sorte, foi embora sem deixar saudades. Mas mesmo assim a gente fica abalado com o que vê, pensa no que poderia ter acontecido. Ruim mesmo é o sentimento de impotência. Fazer o que, se a melhor reação é não reagir?

Chamamos a polícia logo em seguida. Encaminhamos o senhor para fazer o BO. Pelo menos tem este lado: a solidariedade das pessoas da rua que vieram ver o que estava acontecendo e deram um apoio.

Além do mais, o bandido teve trabalho à toa: a corrente que levou tinha custado apenas R$20. Não vai conseguir nada ao tentar repassar...

domingo, maio 06, 2007

A sorrir eu vou levar a vida


Eu poderia dizer a sorrir e a ler, eu vou levar a vida....

Às vezes eu dou uma espiada na pilha de livros e penso: NÃO VAI DAR TEMPO!!!!!

SOCORRO!!!!!!!!!

quinta-feira, abril 26, 2007

Rockxixe

Raul Seixas
Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho
Vê se me entende, olha o meu sapato novo
Minha calça colorida o meu novo way of life
Eu tô tão lindo porém bem mais perigoso
Aprendi a ficar quieto e começar tudo de novo

O que eu quero, eu vou conseguir
O que eu quero, eu vou conseguir
Pois quando eu quero todos querem
Quando eu quero todo mundo pede mais
E pede bis

Eu tinha medo do seu medodo que eu faço
Medo de cair no laçoque você preparou
Eu tinha medo de ter que dormir mais cedo
numa cama que eu não gosto só porque você mandou...

Você é forte mais eu sou muito mais lindo
O meu cinto cintilante, a minha bota, o meu boné
Não tenho pressa, tenho muita paciência
Na esquina da falênciaque eu te pego pelo pé

Olha o meu charme, minha túnica, meu terno
Eu sou o anjo do inferno que chegou pra lhe buscar
Eu vim de longe, vim d´uma metamorfose
Numa nuvem de poeira que pintou pra lhe pegar

Você é forte, faz o que deseja e quer
Mas se assusta com o que eu faço, isso eu já posso ver
E foi com isso justamente que eu vi
Maravilhoso, eu aprendi que eu sou mais forte que você

O que eu quero, eu vou conseguir
O que eu quero, eu vou conseguir
Pois quando eu quero todos querem
Quando eu quero todo mundo pede mais
E pede bis, e pede mais...

http://raul-seixas.letras.terra.com.br/letras/90872/

quarta-feira, abril 25, 2007

A passos de formiga e sem vontade

Ontem estive assistindo um documentário sobre o furacão Katrina. Sim, todos nós estamos carecas de saber que arrasou Nova Jersey, deixou muitas pessoas desabrigadas, muitas mortas e afundou a cidade.
O que eu não sabia é que, SEIS meses depois, o governo americano não tinha ainda providenciado a organização da cidade, na verdade, não tinha providenciado nada. As pessoas tentavam voltar para suas casas, mas simplesmente não conseguiam: as marcas da destruição continuavam jogadas nas ruas. Toneladas de entulhos impossibilitavam a mobilidade e a regularização do espaço.
E o pior!
Quando as pessoas conseguiam voltar para as casa, encontravam anotados nas portas os números de mortos encontrados no interior das residências pelas equipes de resgate.
Quando viam o número 0, aliviam-se, pensando: "puxa, meus entes queridos estão por aí, em algum lugar..."
Mas ao entrarem, descobriam corpos.
Não consigo imaginar uma possibilidade tão cruel quanto esta a estes sobreviventes já traumatizados pela catástrofe.
Estes dias eu estive me recordando da infância, até me lamentando das perdas, já estou completamente consolada: pelo menos os meus brinquedos queridos eu doei para uma instituição de caridade, e as minhas coisas foram parar em outras casas, encontrar outras crianças. Não foram levadas por um temporal. Ou por um pesadelo.

terça-feira, abril 24, 2007

Recordar é viver

Tenho escrito uns posts muito nostálgicos ultimamente.
Mas é bom saber que tenho boas recordações.
Aliás, muita coisa de minha vida eu tinha esquecido por completo, e agora tenho ativado a minha memória e lembrado de muitos episódios. É uma experiência meio surreal saber que se viveu tanto.

domingo, abril 22, 2007

Beijou sua mulher como se fosse única...

Antigamente eu ficava assistindo Os Jetsons, achando que o futuro era só uma ficção.

Aquele telefone, por exemplo, com televisão, que passava a imagem junto com a voz ao vivo e a cores, parecia uma coisa inventada e sem chance de se realizar, pelo menos não enquanto eu estivesse viva...


Hoje a gente não acompanha as novidades que entram no mercado, não vive sem a tecnologia. Não consigo imaginar como eu conseguia entregar trabalhos na faculdade em papel almaço, sem a possibilidade de procurar na internet o assunto de pesquisa e ainda tendo que usar a caneta esferográfica que borrava. E quando vinham os inevitáveis erros de escrita, quando passava tudo a limpo? Fui da época antes até mesmo do corretivo líquido. Usava a borracha para caneta. E tinha que ser com muito cuidado para não rasgar o papel, porque senão tinha que escrever tudo de novo...


Sabe que naquela época havia um valor pela aparência do trabalho baseada no "sofrimento"? Hoje a gente aperta a tecla delete, antes a gente tinha que escrever duas vezes e se errasse não poderia riscar e continuar escrevendo. Bobagem, né? Imagina o tempo que se gastava inutilmente com isso!

Eu cheguei a escrever cartas para os amigos! Em folha de caderno. E não tinha a resposta imediata, muitas vezes nem vinha resposta. Eu também não dava conta de responder as cartas que recebia. Sabe quantos amigos meus se perderam na multidão, antes que existisse e-mail?

É uma pena. Eu sinto falta de saber de algumas pessoas que conheci. Com a tecnologia, a gente sabe pelo menos um mínimo. Sem ela, os laços se desfaziam mais facilmente.

Mas tem algumas coisas que sinto falta: a coleção de papéis de carta é uma delas. Havia papéis perfumados e com desenhos lindíssimos.

Sinto falta das minhas coleções de figurinhas. As crianças de hoje não têm álbuns tão legais quanto os que eu tive. Havia umas figurinhas muito criativas e bonitas. E a criançada na hora do recreio ficava brincando de "bafo", era tão bom!

Eu me arrependo de ter dado fim a um monte de coisas que eu tinha. Mas não sabia que um dia eu sentiria falta...

domingo, abril 15, 2007

Quem quer?

Teve uma época, quando eu era criança, que na escola teve uma febre de dip lik. É um doce assim: um pirulito que se mergulha em um pó adoçado e aromatizado enquanto se chupa.


Eu passei um tempão babando nos dip liks que as crianças chupavam na minha frente o dia inteiro.


E eu naquela baita vontade.


Até que um dia, não sei por que cargas d'água, eu cheguei na escola com um dinheirinho na mão. Fui correndo no pipoqueiro comprar o meu dip lik e me saborear e matar toda a minha vontade de vários tempos.


Mas aí, mal abri o envelope do dip lik, veio correndo uma menina na minha direção que eu nem conhecia:


__ Você é louca?! Não pode chupar este pirulito! Ninguém mais está comprando isto!


Fiquei meio refém daquele alerta, curiosa com o que diabos poderia ter de tão ruim naquele doce, às vistas tão inofensivo.


__ Tem ácido neste pirulito!! - anunciou a menina, toda preocupada.


__ Veja aqui no rótulo: ácido cítrico!


Puxa! Ácido no pirulito! Pareceu-me bem razoável que eu tinha escapado de um grande perigo. Pensei que o pirulito pudesse aos poucos ir corroendo as minhas entranhas.


A menina jogou fora o meu dip lik.


Socorreu-me de um grande problema.


Mas ela não pôde me salvar da vontade que eu passei antes e depois deste episódio.



...

Muitos anos depois, na verdade uns dois ou três anos atrás, eu estava em um jornaleiro e vi a embalagem do dip lik. Uau! Eu poderia então sanar a minha vontade de tantos anos.

Abri, sorridente e vitoriosa o saquinho do dip lik. Ainda era todo o mesmo, pelo menos no rótulo.


Mas era tarde demais.


O dip lik tinha perdido todo o gosto da infância.

terça-feira, abril 10, 2007

Perigo é ver você assim sorrindo

Sempre achei as lagartas amigas da natureza. Bichinhos inofensivos que podem no máximo provocar uma queimadura na pele se a gente encostar.
Mas ontem descobri, visitando o Instituto Butantan, que há lagartas e taturanas venenosas e que podem ser muito perigosas ou fatais.

Pouca gente sabe, mas o Instituto Butantan tem um hospital especializado em picadas e alergias causadas por bichos que funciona 24h.

E há departamentos que recebem insetos, aracnídeos, cobras, anuros, bichinhos esquisitos no geral. Até carrapatos. Ao entregar o bicho, de preferência vivo, a gente recebe uma ficha com as informações sobre ele: o nome científico, o nome popular, as características principais e a periculosidade. E os funcionários ficam à disposição para tirar qualquer dúvida sobre prevenção e outras informações. É um serviço gratuito à comunidade. E eles agradecem muito quando recebem os bichinhos que a gente leva, eles utilizam para estudos e às vezes para produção de soros e remédios.

Lá no Instituto Butantan tem cursos para leigos que parecem ser bem interessantes, eu mesma quero fazer algum um dia. Sem falar no museu e nos tanques de cobras abertos à visitação.

Por isso, vale a pena participar e divulgar esta boa iniciativa brasileira que não é tão reconhecida ou mesmo desconhecida por muita gente.

sábado, abril 07, 2007

Descansa meus olhos


Ontem fui ao Centro Cultural. Vi uma exposição belíssima de fotos de paisagens do Irã.

Ai, quem me dera ficar só percorrendo o mundo e relatando tudo o que eu vi. Um dia eu passeava, no outro ficava escrevendo tudo o que tinha acontecido no dia anterior. Não é um emprego dos sonhos??

Na verdade, acho que aprendemos muito olhando para o olhar do outro. Observamos as suas casas, as suas vestimentas, os seus gestos, as suas palavras (que nem sempre fazem sentido para nós).

E no significado do outro, encontramos os nossos. O que significam flores para cada um de nós? O que significam pelicanos? O que significam águas, fogos, terras e ares? Como cada um entende o universo?

O silêncio?

Eu sou uma ser andante e sentar me cansa.

sexta-feira, março 30, 2007

E eu dizia ainda é cedo

Eu estava conversando hoje com o cachorrão e tivemos um bate-papo muito interessante sobre o medo.
Porque ele, apesar de ser um cachorrão poderoso que poderia colocar qualquer um contra a parede, no sentido literal, às vezes se vê em situações de medo sem fundamento. Tem alguns eventos que despertam o seu instinto mais animal, e ele tenta se defender de coisas até bobas. Como se seus atributos naturais (os dentes, principalmente) não fossem dar conta de resolver os seus fantasmas.
Eu disse a ele que ele pode ficar tranquilo, porque está em ambiente seguro ao lado de pessoas que o amam muito... mas parece que nem sempre conseguimos evitar o seu medo.

No fim, somos assim mesmo, né? Temos um instinto, somos animais e nem sempre resolve este detalhe da "razão". Acho que tanto mais percebemos o amor que nos rodeia, tendo segurança das pessoas que gostam de nós e nos admiram, mais estaremos habilitados a lidar com o medo que sentimos. Porque evitar o medo parece algo impossível, já que temos um instinto de preservação.

quinta-feira, março 29, 2007

O Brasil não conhece o Brasil

O filme Anjos do Sol, 2006, direção de Rudi Lagemann, é inspirado livremente em diversos artigos publicados na imprensa. Fala sobre o mundo da prostituição infantil no Brasil através da história de Maria - uma menina de doze anos de idade que é vendida pelos pais e cruza o Brasil numa longa jornada, forçada a se prostituir para sobreviver enquanto busca um futuro melhor.

Alguns dados relatados no filme:

"Pesquisa divulgada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos em janeiro de 2005 denunciou a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes em 937 municípios brasileiros".

"Estima-se que cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil".

segunda-feira, março 26, 2007

Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo!


O risco na pele

acende a noite

enquanto a lua

(por ironia ilumina o esgoto

anuncia o canto dos gatos)

De quantos partos se vive

para quantos partos se morre
um rito espera-se faca

na garganta da noite
recortada sobre o tempo

pintada de cicatrizes

olhos secos de lágrimas

Domingo, organiza a cerveja

de sobreviver os dias.


(trecho do poema Mukai, que significa mulher)

Ana Paula Tavares


ANA PAULA RIBEIRO TAVARES, nasceu no Lubango, província da Huíla, em 3 de outubro de 1952. Licenciada em História, é funcionária da Secretaria de Estado da Cultura. É membro da União dos Escritores Angolanos e autora de um caderno de poesia intitulado, RITOS DE PASSAGEM.

Ilustração: Marcela Costa (angolana): "Ritms", colagem e pintura.

Marcela Costa, que fez aperfeiçoamento em cursos no Brasil e Suécia, utiliza técnica mista de tecido, areia e estampas. As texturas naturais, o apego às formas curvas e sinuosas conferem às suas criações um viés feminino e um sentimento telúrico. Suas obras estão em diversos países, entre os quais Estados Unidos, Inglaterra, Zâmbia, África do Sul, Estônia e República Tcheca.

sexta-feira, março 23, 2007

Nesta data querida...

Hoje é aniversário de outra pessoa muuuuuuuito especial.
É outra colega de blog, que fica blogando comigo e eu fico blogando com ela.

Olha, esta menina é para lá de gente fina.
É uma MULHER REVOLUCIONÁRIA.

Sabem o que é uma mulher revolucionária?
Eu vou dizer (pretenção, hein?).

É uma mulher que luta pelo que quer. Uma mulher que luta para ser feliz.
Uma mulher que entra na vida das pessoas e altera todo o curso da estória.
Inclusive a dela.
Uma mulher que chora e, às vezes, chora muito. Porque acredita nos seus princípios e não se deixa levar pelo que querem os outros. Ah, os outros querem que ela páre tudo o que está fazendo, pensando e sentindo e vá fazer outras coisas, que talvez nem a deixem ser o que ela é realmente.
Mas ela não cede: com seu jeito de ser, ela toma conta de si mesma, e com muita coragem diz "não" ao que não acha certo.
Ah, ela não tem medo do que os outros vão pensar, é desbocada e assume a sua palavra, as conseqüências de suas ações, enfrenta o mundo que vem abaixo.
Uma mulher revolucionária às vezes pode se sentir a mais covarde de todas as mulheres, a mais fraca, a mais vil, até se dar conta que é preciso ter muito peito para viver do jeito que acha melhor.
Mas com sua postura, ela vai plantando sementes por onde passa, vai espalhando alegria, vai ensinando a gente.
Uma mulher revolucionária às vezes não é admirada em algum tempo de sua vida. Às vezes o tempo é quem mostra às pessoas quem ela verdadeiramente é. E as pessoas por sua vez a vão respeitando, se são espertas suficiente para perceber o seu brilho.
Enfim, uma mulher revolucionária revoluciona. E quando percebe os seus frutos, consegue ser feliz, muito mais feliz do que poderia imaginar. De alma limpa, de consciência tranquila, de cabeça erguida.


Eu sussuro um parabéns para esta mulher revolucionária que me serve de exemplo, de quem eu tanto me orgulho, de quem eu tanto gosto. Esta que me cativa dia após o outro. Por tudo o que ela é, faz, pensa, sente. É uma pessoa realmente extraordinária.
Fico muito feliz por ter esta garota mulher menina mulherão super sensível e meiga como minha amiga.

quarta-feira, março 21, 2007

Meu destino é andar por este país


Esta menininha aí tem sobrevivido aos anos (risos). Continua a mesma bochechuda de sempre. Na semana que vem, vai fazer 35 anos.

Outro dia eu li um artigo (meio ruim, falar a verdade), de Lya Luft, cujo título era: "A criança é o pai do homem". A intenção do texto era até interessante, mas acho que não alcançou o significado desta frase.


Não é difícil para mim reconhecer a pessoa que sou na criança que fui. Acho que a gente esconde secretamente o nosso plano de vida nos nossos sonhos pueris, nas horas em que brincamos, dedicados nas nossas investigações sobre o mundo.


Eu, por exemplo, lembro-me de passar horas debruçada em um livro, na produção de um desenho, compenetrada em meus pensamentos. E me imaginava grande num apartamento cheio de livros, de óculos, de roupas simples, escrevendo e lendo o dia inteiro.


Tenho uma foto premonitória, em que estou sentada à fonte em frente ao Cepeusp, com o prédio da FFLCH ao fundo. Na foto, eu sorrio um sorriso tão feliz que parece que a Usp sempre foi a minha segunda casa.


Acho que a criança sabe exatamente o que fazer para dar curso aos seus desejos. Eu sempre almejei ser uma mulher grandona (metaforicamente, sem dúvida), mas no fim quem me dá as coordenadas do que fazer e do que sentir, manda a menina.


Eu me felicito por ter traçado um trajeto de reencontro a mim mesma, podendo olhar nos meus olhos, e poder encarar a mim mesma com um sorriso nos lábios, podendo dizer:


__ Minha querida Roselyzinha, muito obrigada por tudo o que você me fez. Você sempre foi uma garota corajosa, forte, valente, uma fortaleza, e, por sua austeridade, consigo hoje não te decepcionar e ser muito do que você sonhava para mim. Estamos muito quites. Vamos caminhar agora à Rosely quarentona, à Rosely melhor idade, à Rosely bem velhinha e bem feliz.

segunda-feira, março 19, 2007

Nem toda brasileira é bunda


Gente, quem gosta de Tarsila do Amaral precisa dar uma passadinha no site http://www.tarsiladoamaral.com.br/ para conhecer um pouco mais da vida e da obra desta pintora brasileira.
Este site é maravilhoso!!!
E esta personalidade também.
Não percam!

sábado, março 17, 2007

Que só leva pouca gente

Ontem foi um dia excepcional.
Não que tenha sido muito fácil. Foi bem cansativo.
Mas em compensação é um daqueles dias de minha vida que vou me lembrar por muito tempo.

De manhã tive uma reunião com Tania, a minha orientadora de mestrado. Dá um frio na barriga porque o meu texto de dissertação está se tornando uma realidade cada vez mais séria. Vou poder escrever tudo o que eu tenho a dizer. O frio na barriga é uma mistura de medo, que não quero fazer um trabalho medíocre, e ao mesmo tempo de felicidade. Então posso dizer que esta reunião, apesar de curta, foi bem emocionante.

Em seguida, almocei com alguns amigos de curso, com os quais discuti uns textos que seriam apresentados em uma outra reunião com o grupo todo. Tão importante quanto entender, discutir e aprender, tem este incrível contato com o pessoal, e a gente descobre as possibilidades de se expressar e ler o mundo.

Chegou a hora da reunião, nos esprememos todos em uma salinha das "catacumbas" (há um corredor de sala de professores nas letras que parece um corredor de masmorras). Apesar dos barulhos suspeitos, imaginamos que não há por ali fantasmas centenários, porque o prédio é de certa maneira recente e ainda não formou um conjunto intenso de expectros poderosos.
Então começou a chover, chover, um dilúvio.
Aí que começamos a trocar algumas impressões de nossas vidas e descobrimos algumas estórias incríveis um do outro.
Bom quando a gente encontra pessoas com quem compartilhar cumplicidade.
Dá uma satisfação.

As aventuras não pararam por aí: superando as dificuldades e obstáculos da cidade, conseguimos continuar reunidos até uma da manhã. Ainda debruçados nos textos que discutimos o dia inteiro. Haja neurônio!...

Eu, Márcio, Lisângela e Rosângela enfrentamos um trânsito surreal ao tentarmos escapar da Usp.
No meio do caminho, paramos para jantar no Extra. Com direito a todo glamour do mundo.

Na escada rolante:
__ Será que tem banheiro aqui?
__ Ah, sim! - eu respondi - Eu também quero ir ao banheiro...
Então a Rosângela me comentou uma coisa, eu respondi outra. Quase no piso superior:
__ Estamos longe?
E eu:
__ Do banheiro?
__ Não! Da casa da Tania! - para onde estávamos a caminho.

No banheiro:
__ Sabe que na Europa os banheiros são unissex? - comentei.
__ Você foi muitas vezes?
__ No banheiro?
__ Não! À Europa!

Não sei porque esta estranha fixação pelo banheiro, mas foi uma cena dessas que se a gente tenta imaginar, não consegue. Tem que acontecer para a gente acreditar que é possível.

Enfim, este apanhado de momentos deste dia me deixaram muito feliz. Mais satisfeita ainda quando cheguei hoje ao computador e vi que meus colegas já tinham se manifestado, comentando o dia e a reunião da noite. Isso quer dizer que não só vivi este dia com muita intensidade, como compartilhei estes momentos importantes com outras pessoas muito especiais.
Sei que às vezes fico emotiva um pouco além da conta, mas tenho que dizer: como agradeço por viver assim, tão cheia de estórias para contar. Agradeço aos meus amigos, que tornam todos estes milagres cotidianos acontecerem. Parece que se desenha um sorriso dentro de mim quando tanta coisa que me faz a vida valer a pena se faz presente. Pequenas e grandes coisas. Deixo de ser uma criança assustada, que viveu situações em que tudo saiu do controle e desabou sobre minha cabeça. Passo a ser uma super-heroína poderosa capaz de resolver mil coisas ao mesmo tempo. Aperto a mão do afeto. Pisco um olho para o bem. Enxugo a testa.

Durmo nas nuvens do Olimpo.

quarta-feira, março 14, 2007

Mil rosas roubadas

“Isso explica muita coisa!”

Eu dei uma gargalhada logo em seguida, porque achei engraçado o jeito do Márcio falar.
Vamos voltar ao início da conversa, para que vocês entendam por que ele me respondeu assim.

Eu estava lhe dizendo o seguinte: que li em uma revista, e não me lembro em qual, sobre um psiquiatra que explicava que a paixão dura no máximo três anos. Mas que ela é renovável, ou seja, você pode se reapaixonar e continuar apaixonado por uma pessoa durante décadas. Ou seja, se o período da paixão acaba e não houve uma conexão entre as pessoas, ela não é renovada. No entanto, se uma pessoa está apaixonada, ela pode não perceber os fatores da relação que a comprometem. Pelo menos até acabar a paixão.
Ele explicou também que paixão não tem nada a ver com amor.
Pode-se amar sem estar apaixonado, pode-se apaixonar-se sem estar amando.

É, eu também achei que há bastante lógica.

terça-feira, março 13, 2007

Participo sendo o mistério do planeta

DEZ COISAS A FAZER
PARA IMPEDIR O AQUECIMENTO GLOBAL


troque uma lâmpada
Substituir uma lâmpada comum por outra fluorescente poupa até 68 kg de dióxido de carbono por ano.

dirija menos
Ande, use a bicicleta, faça carona compartilhada ou pegue metrô mais vezes.
Você vai poupar 0,8 kg de dióxido de carbono para cada kilômetro.

recicle mais
Você pode poupar até 1.088 kg de dióxido de carbono por ano apenas reciclando metade de seu lixo doméstico.

revise seus pneus
Conservar os pneus calibrados corretamente pode melhorar o
consumo de gasolina em mais de 3%. Cada galão de gasolina economizado
evita 9 kg de dióxido de carbono na atmosfera!Na hora de abastecer, se possível dê preferência ao álcool.

use menos água quente
É necessária muita energia para aquecer a água. Use menos água quente instalando um chuveiro de baixo fluxo (158 kg de CO2 a menos por ano) e lave suas roupas com água fria ou morna (226 kg a menos por ano).

evite produtos com muita embalagem
Poupe 544 Ig de dióxido de carbono reduzindo seu lixo em 10%.

ajuste seu termostato
Diminuindo apenas 2 graus de seu termostato no inverno e aumentando 2 graus no verão, você pode economizar cerca de 900 kg de dióxido de carbono por ano.
Utilize o seu ar condicionado somente quando necessário.

plante uma árvore
Uma única árvore absorve uma tonelada de dióxido de carbono durante sua vida.

desligue os aparelhos eletrônicos
Desligando sua televisão, DVD, estéreo, e computador quando não estiver usando, economiza milhares de metros cúbicos de dióxido de carbono por ano.

faça parte da solução
Descubra mais e participe através do site climatecrisis.net


NÃO É SEMPRE QUE A SOLUÇÃO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS,
NÃO A DEIXEM ESCAPAR!!!

sábado, março 10, 2007

O tempo não pára


O mundo está em movimento o tempo todo.

Para que querer repetir o passado e não se aventurar em uma nova situação, em um novo modo de pensar?

A transformação requer o abandono dos padrões rançosos, que inevitavelmente dificultam as novas relações.

A libertação está interligada às nossas atitudes. Precisamos ter a coragem de pular do abismo e encontrar o outro, pensar em suas necessidades, transformar o outro para alterarmos o curso de nós mesmos.

Basta aliviarmos a fome de um ser para amanhecer um novo planeta. Você tem fome de quê?

quarta-feira, março 07, 2007

Realize seu sonho sexual

Uma vez eu estava sentada em um banco, em lugar público, veio um prostituto se oferecer a mim. Agradeci e disse que não, sem poder evitar o risinho no canto dos lábios. Conversando com este moço, descobri que ele tinha sido estuprado aos 11 anos de idade. Ele me contou assim, sem drama, sem dor, como se contasse o que tinha comido no café da manhã. Banalizar a violência parece ter sido uma maneira de ele sobreviver.
Sabe, eu acho que a prostituição não deveria ser crime. Deveria ser regulamentada. Porque sempre haverá quem queira se prostituir, sempre haverá quem queira pagar por sexo. E este número de pessoas nunca foi e nunca será reduzido. Por que, eu não sei. Mesmo filmes pornôs não me atraem, li uma vez em uma estatística que as pessoas que estão transmitindo prazer na verdade estão fingindo. O ranger de dentes, as palavras, os gemidos, o grito de gozo, tudo não passa de fingimento, de parca encenação. Há tantas pessoas que se envolvem na prostituição sem quererem se prostituir que sempre me vem à mente: esta pessoa aí, será que ela teve escolhas? Será que foi obrigada? O quanto sofreu, o quanto sofre, o quanto esqueceu de sofrer?
Lógico que numa sociedade cheia de tabus e de falsa moral nunca aceitaria uma carteira de trabalho com o carimbo: pessoa da vida. Diria que o dinheiro advindo da prostituição seria dinheiro sujo. Menos sujo do que a venda das drogas lícitas, como o álcool, não sei.
Mas sei que quando falamos de prostitutos e prostitutas, estamos falando de seres humanos. Gente que tem dor de dente, dor de barriga, sente frio, fome e sede como qualquer um de nós.
Fácil imaginar que a vida é fácil para alguém. Na verdade, não sabemos nada de ninguém e não podemos julgar sem conhecer. Fácil é deixar as pessoas à mercê da ignorância, da falta de cuidados e atenção, da marginalidade.
Lógico que tem gente que se prostitui porque gosta. Por isso acho que deveria se chamar profissão. Um dia vai acabar por acaso?

terça-feira, março 06, 2007

Água também é mar


Sim, a paisagem é bela, relaxante, alto astral e tudo o mais.

Mas eu vou contar para vocês o que eu vi ontem. Nããããão, não é nada legal, nem atrativo, nem geração saúde, nem nada.

Se bem que é até bonitinho... estou falando do monte de RATOS que tem nas pedras da praia!!!

Tão grandes que parecem até "coelhinhos", como disse uma senhora que passou ao meu lado.

Eles pulavam de um lado para o outro, como se estivessem brincando e faziam uns chiados bem fininhos assim: íííícc... íííícc...

Quando reparei melhor, pude observar as marcas das pegadas na areia... e não eram poucas, não! As pegadas contornavam todas as pedras da praia, o que quer dizer uma grande extensão. Eles estavam tão à vontade que nem ligavam para as pessoas que passeavam no calçadão. Estão mais do que acostumados.

Enfim... já me assusta o fato de eu observar um monte de gente na praia abaixo da bandeira "Imprópria" da Cetesb, indicando que a praia é comprovadamente imprópria para banho. Isto é, água suja. Agora imaginar que todo mundo estende as cangas naquela areia, isso já é demais...

Ademais, o que me resta? Suspirar sentada no banco (e não na areia), vendo o mar, as águas, os barcos, o verde... observando o mundo e as contradições das mais simples às mais complexas.

Hoje, aliás, vi um peixe dando um enorme salto na água. Tanta sorte quanto ver uma estrela cadente, né?

domingo, março 04, 2007

Feito um gato aos pés da dona


A fênix ou fénix (em grego: φοῖνιξ;, transcrição: foinix) é um pássaro da mitologia egípcia que quando morria entrava em auto-combustão e passado algum tempo renascia das próprias cinzas.

Não conheço muito da mitologia, muito menos da mitologia egípcia. Mas estas estórias não são fenomenais?

quinta-feira, março 01, 2007

Minha pretinhosidade, minha festa, minha flecha, minha seta

Nas palavras da minha amiga Érica:

Para quem ainda não sabe, acabou de ser publicada, pela Cia das Letras, mais uma obra do Mia Couto! Desta vez é A varanda do frangipani.


Que bom!! Fiquei tão contente com a notícia! Será que ele não vem de novo ao Brasil para dar mais uma palestra e mais uma autografada nos nossos livros? (Percebam meu tom de expectativa).



No lançamento do livro O último pé da sereia em São Paulo, em palestra no auditório do Sesc Mariana, Mia Couto primeiro contou como a sua identidade é confundida. Porque inicialmente todos pensam que ele é negro (e trata-se de um loiro de olhos azuis); e porque seu nome Mia, apelido de criança por causa de sua imitação de gatos, pode também ser dado por nome de mulher. E continuou questionando a identidade.
Até que contou o seguinte episódio, que achei muito curioso: que, na profissão de biólogo (quem diria), uma vez foi catalogar os pássaros de uma certa região, levando consigo como guia um morador local conhecedor de todos os cantos e todos os nomes dos bichos dali.
Saindo logo de manhã para o trabalho de campo, ainda amanhecendo, um pouco desajeitado com os materiais e papéis que carregava, Mia escutou o primeiro grito do dia.
__ Este pássaro que gritou agora, qual o nome dele?
E o acompanhante respondeu:
__ Ah, este pássaro a gente não chama de pássaro, a gente chama de sapo.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Strange fruit


Southern trees bearin' strange fruit,

Blood on the leaves and blood at the root,

Black bodies swinging in the southern breeze,

Strange fruit hanging from the poplar trees.


Pastoral scene of the gallant south,

The bulging eyes and the twisted mouth,

Scent of magnolias, sweet and fresh,

Then the sudden smell of burning flesh.


terça-feira, fevereiro 20, 2007

Comemoro na cidade

Hoje é aniversário da Érica.
Uma mulher muito doce com sorriso de menina.
Uns olhos sorridentes que sorriem tudo o que a sua alma sorri.
Estou aprendendo muitas coisas com esta minha amiga. A gente aprende a brincar, que nem criança. Isso porque todas a vezes que nos falamos, acabamos sorrindo mesmo, de verdade.
Ela já ouviu as minhas lágrimas, apesar de estar bem longe. E eu vi seu rosto criança, com caracóis loiros e tudo.
Dá um alívio quando a gente encontra alguém assim como ela no mundo. Dá essa boa sensação de não solidão. De saber que alguém compartilha com a gente das dúvidas do viver e do saber.

Feliz Aniversário, ÉrIcA.
E continue ericando por aí que faz bem à saúde.
http://kianda.blogspot.com/

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Nunca perde essa mania

Alguns pensamentos que eu tive outro dia e que vou agora compartilhar despretensiosamente com vocês.


Reparem nesta pintura ao lado: chama-se "O filho do carteiro".


É um quadro de Van Gogh.


Ontem eu o vi pessoalmente no Masp, e o que me chamou a atenção na hora foi o boné (pelo formato) e a roupa do menino (por ser azul), porque me deu a impressão de se tratar de um uniforme de carteiro.


Ao procurar na internet outro quadro de Van Gogh, "O carteiro Roulin", percebi que realmente há semelhanças nas vestimentas.


Só que nem a roupa nem o boné são de adultos, o que indicaria que o menino estaria brincando com o uniforme do pai. Não: ele está, na verdade, vestindo a profissão da família.


Ou seja, apreendi a seguinte mensagem: que esta criança, por ser criada por uma família humilde, não terá muitas chances de seguir uma carreira diferente, um destino diferente. Por uma impossibilidade social.


E mais: observem o seguinte trecho:



Sempre que possível, van Gogh convencia o povo de Arles a posar para ele, registrando assim para a posteridade os médicos e comerciantes que faziam parte de sua vida. O carteiro Joseph Roulin era um homem simples que nunca tinha visto um pintor antes, e que parece sempre um tanto tímido e constrangido em vários retratos seus feitos por van Gogh. Em uma carta a um amigo, van Gogh descreveu Roulin como "um tipo socrático, não menos socrático por ser um pouco alcoólatra e ter, consequentemente, um rosto muito afogueado. Sua esposa tinha acabado de dar à luz e o bom homem resplandecia de satisfação. Ele é um velho republicano terrível, como Père Tanguy. Ficou tão enrijecido ao posar que pintei-o duas vezes, a segunda em uma única sessão."


http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/artes/vangogh/Van_roulin.htm



Se o carteiro tem o rosto afoguetado pelo alcoolismo, é interessante notar que o rosto do menino também o é.
Outra premonição?
Reparem também nas mãos tensas, deformadas, próprias de homens trabalhadores. Para mim, dão até a sensação de sofrimento. O que se pode confirmar pelo olhar carregado de ambos.
Mas há diferenças muito nítidas entre o homem e o menino: a postura.
Se o homem está endurecido, o menino está bem à vontade.
Não endureceu ainda.
Está em uma tela quente, ao contrário da tela fria do homem.
Não houve ainda a desilusão. Não houve ainda a compreensão do mundo e de suas imposições. O confronto entre os desejos, as esperanças, e as perdas, os sonhos desmoronados.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Alguns a desejar seus beijos de deusa


Outro dia, vendo o noticiário sobre a cratera de São Paulo (http://busca.folha.uol.com.br/search?site=online&q=cratera), vi que muitas casas próximas à linha 4, a que faz parte da que desabou, estão cheias de rachaduras, portas que não abrem ou não fecham, entre outros problemas.

Ninguém é ingênuo de acreditar que a cratera caiu por fatalidade. Caiu porque o método utilizado era inseguro para o terreno. Há chances de desmoronamentos se usando desta técnica. Deve ser a mais barata, lógico, apesar de todo mundo saber que as obras públicas também são superfaturadas. E existem muitas outras que seriam mais apropriadas.

Mas o mais absurdo foi quando um dos moradores deu o seguinte testemunho:

"Já procuramos o metrô e manifestamos nossa insatisfação sobre os problemas que temos enfrentado. O engenheiro nos disse que este é o preço do progresso".

Olha, não tem nada que me deixe mais "P" da vida do que este discurso de safado.

Preço do progresso é o que se deve investir para trazer benefícios para as pessoas. Prejudicar as pessoas ou o meio ambiente não é progresso nem aqui nem na lua. Já temos tecnologia suficiente para calcularmos menos danos, para amparar os envolvidos. Sair fazendo de qualquer jeito sem dar satisfação para ninguém não é progresso coisa nenhuma. É insensibilidade, no mínimo, se não crime.


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Segue o seco sem sacar que o caminho é seco

Noite

Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.
Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.
São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.
Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.
Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.
Também a noite é escura.
(Sagrada esperança)

Poema de Agostinho Neto, poeta angolano. Foi o primeiro presidente da República de Angola, em 1975. Nasceu em Catete, Angola, em 1922, faleceu em 1979.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Lava roupa todo dia

Estava eu sentada no meu computador, escrevendo, veio o cachorrão e se deitou aos meus pés, encostado em minhas pernas.

Já notei que algo estava de errado, porque quando o cachorrão se vê em alguma enrascada, ou está doentinho, ou qualquer coisa assim, ele vem se encostar em mim.


__ Que foi, cachorrão??


Ele, ofegante (outro sinal de que algo não estava bem), me olhou com as orelhas abaixadas.


De repente eu comecei a sentir aquele cheirinho desagradável. Xi, cachorrão, o que aconteceu?


Então fomos ao quintal, e ele ficou andando em círculos, com a cabeça baixa.


__ Ah... não é nada, cachorrão.


Olhei para baixo do rabinho e lá estava alguma coisa que deveria ter caído, mas ficou pendurada.


__ Vamos lá na frente, cachorrão! Aí você faz força de novo que dá certo. É só fazer força, cachorrão!


E ele, entendendo tudo de maneira abnegada, foi até o jardim, encurvou-se como se faz o cachorro, ficou fazendo força. E eu lá do lado:


__ Isso, cachorrão! Vai dar certo.


E num instantinho, o cachorrão se viu livre da agonia.


__ Está vendo, cachorrão? Não era nada.


Ele me olhou com uma carinha de agradecimento, com a língua de fora, sorrindo, e correu livre, chacoalhando o rabinho.


Não basta ser tia (vamos adaptar um pouquinho, né?). Tem que participar.

domingo, fevereiro 04, 2007

Porque acaba de nascer







Memórias de meus pintos tristes

Estava eu na secretaria de uma sociedade beneficente, organizando uma papelada de um cursinho para alunos de baixa renda.
E no corredor estava uma mãe ralhando com sua filha, de uns 9, 10 anos.
__ Não, não e não! Pára com isso!
E eu toda xereta fui lá ver qual era a situação.
__ Ah, mãe, deixa, vai!
__ O que é que você quer?
__ Ela quer que eu compre um pintinho na feira. Mas não vou comprar, não! Em casa não tem onde pôr, depois o pinto morre.
__ Mas você não tem dó do pintinho? Ele vai morrer! - disse eu, toda metida, pronta para ajudar a mãe na tarefa de fazê-la entender a situação.
__ Ah... - desdenhou a menina.
Então veio a frase que me desbancou:
__ É só um real!!
"Puxa!", eu pensei, "o preço de uma vida..."
E vai responder o quê? A resposta dela acabou com o meu poder de argumentação.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Passarinho, então me diz

A priminha do Márcio, tão linda, estava instigada:
"Mamãe, se duas pessoas ligarem ao mesmo tempo, o que acontece?"
"Como, filha?"
"Se duas pessoas ligam ao mesmo tempo para outra, acontece o quê?"
"Mas como assim?"
"Uma pessoa tenta ligar para outra, outra ao mesmo tempo, 'vou ligar', 'vou ligar'... o que que acontece?"
Achei tão linda...
Grandes questões existenciais.
Felizmente não há hecatombe nem curto circuito mortal por alguma coincidência cósmica e telefônica.

domingo, janeiro 28, 2007

Essa noite eu quero te ter


Quadra

Entre as louras e as morenas
E entre as brancas e as trigueiras
Eu por mim prefiro apenas
As segundas e as primeiras

Poema de Rui de Noronha, poeta moçambicano, editado pela primeira vez em 6/6/35.
Já se vê que o poeta era muito chavequeiro (ou xavequeiro?)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Me dá vontade de saber onde está você

Estou morrendo de saudades de casa... quero arrumar a minha cama, lavar a louça, fazer comida, pintar, estudar, ver televisão e ficar em paz.
Cultivar a paz deveria ser uma coisa tão fácil de se fazer: a paz deveria vir assim que pensássemos nela, assim que quiséssemos nos sentir melhor, assim que precisássemos nos sentir melhor.
Teve uma época que eu sentia que minha casa era bem a rua: eu estudava de manhã, trabalhava à tarde, trabalhava de novo à noite, então o ônibus era o meu sofá de descanso e a minha televisão era a janela, a minha sala de jantar era o bandejão da faculdade, o meu quarto era qualquer canto onde pudesse encostar a cabeça e dormir nem que fosse por 10 minutos apenas. Acabava o dia e eu não me sentia voltando para casa, pois lá não era o lugar onde eu passava a maior parte do tempo. Era uma espécie de pensão para pernoite.
Então esta questão de lar era muito mais "bem resolvida", porque não importava onde eu estivesse, estava sempre em casa.
Agora tudo é inóspito, nenhuma escrivaninha é minha, nenhuma cama é minha, nenhuma mesa, nenhuma pia, meu umbigo não está enterrado em nenhum quintal.
Estou presa e bruta e metida em alguma garrafa e não sei como quebrar o encanto.
Concedo três desejos a quem me achar no oceano e decifrar esta maldição de Salomão que está tatuada em meu rosto.
Enquanto isso chove e a chuva de mim leva e lava e livra a minha mente.
Boa noite, Rosely.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Volto ao jardim

Agora em janeiro, passeei e passei alguns dias com minha mãe, pois ela estava de férias. Fomos ao Mercado Municipal, onde comprei um delicioso vidro de mel de flores de laranjeira.
Outro dia precisei ir ao centro, comprar um livro que tinha encomendado em um sebo. Na livraria R$ 60,00, no alfarrábio R$ 20,00, fui o quanto antes.
Ao passarmos pela Rua Marcondes, ela me mostrou o prédio onde nasceu. Disse assim que meu avô era zelador. A sogra de minha vó ficou rezando 12 horas na barriga de minha vó, e minha mãe não queria nascer. Nem parteira acompanhou, que eles não podiam pagar. Por fim, deu tudo certo, como vocês sabem (pois que estou neste momento escrevendo para vocês!).
Ela me mostrou as ruas por onde andava, o colégio onde estudou. Eu nem fazia idéia desta estória. Talvez ela já tenha me contado, e eu tinha esquecido...
Minha vó já é falecida. Morreu em algum tempo da minha memória e não sei nem dizer quando foi.
Outro dia vi uma foto dela, imagem que guardo em meu coração: ela sorrindo, na frente de casa, segurando a coleira do cachorrinho, que ela levava para passear todos os dias. Eu adorava ir com ela nos becos aqui perto de casa.
Se me perguntarem, digo que não sinto nenhuma saudades da minha infância. A muito custo me livrei da ingenuidade (mas nem toda) e com muita gula li muitos livros que eu queria conhecer. Naquela época, o não saber me incomodava. Agora já me acostumei com o não saber. Sei que não vou saber até o fim da minha vida, eu me conformei com a idéia. Continuo gulosa, entretanto.
Mas sinto saudades de minha vó. Fico contente quando penso que ela teve a oportunidade de conhecer o Márcio.
Elza, nome de mulher forte. Mulher de músculos. Mulher cheia de estórias que eu ficava ouvindo muito atenta.
Minha avó se formou em fisioterapia. Trabalhou no jóquei. Divorciou-se. Comprou casa.
Mulher que teve a mulher Virgínia que teve a mulher Rosely.
Elza e Rosely, duas letras só de coincidência no nome. Mas de sobrenome é igualzinho.
O que minha mãe me deu de maior presente na vida foi ter me levado, aos meus 13 anos de idade, a uma creche longe na favela, para eu ser voluntária.
Não estávamos dando esmola, nem entregando roupas ou brinquedos, coisas que foram minhas, mas que não tinham sido minhas de verdade. Porque não as tinha comprado. Eu pude dar o que de mim pertencia: eu mesma. O meu carinho, a minha ajuda nas trocas de roupa, as minhas estórias que eu inventava para as classes cheias de crianças.
Sabem o bem que faz a uma adolescente entrar numa sala e um monte de crianças gritarem seu nome tinindo de felicidade? Pois era assim mesmo: eu chegava na creche, alguma criança me via e ia logo anunciando: Tia Rosely! Tia Rosely! E num segundo se formava o coro.
E às vezes elas me pegavam desavisada, avançavam sobre mim que até me derrubavam no chão.
E eu beijava o rosto de uma por uma, feliz por me melecar toda.
A hora mais feliz era na do lanche, em que ajudava na distribuição de pão com manteiga e leite de soja em canecas de plástico. Depois que todas as crianças estavam servidas, sentava eu na cadeirinha e dividia do mesmo pão, do mesmo leite.
A hora mais triste era a de quando as mães chegavam, porque todos aqueles pimpolhos que me amavam me esqueciam e corriam para outras mulheres. Mas não me deixavam vazia. Eu saía plena.
Eu ia de sala em sala contar estórias. Toda quarta-feira à tarde. E fiz isso por mais de cinco anos.
Cresci rodeada de amor. Cresci interiormente.
Fui uma erva daninha que se segurou na terra na tempestade e ainda floriu.
Sou agora uma orquídea.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Sabiá

Estava outro dia discutindo com meus amigos sobre alguns problemas humanos da atualidade.
Para mim, o problema relacionado à falta de ética é o pior de todos.
A falta de ética, para mim, deriva do extremo individualismo que está tomando conta da sociedade.
Cada um por si. Conseguir se equilibrar neste mundo de dificuldades não importa como. À base não somente do próprio esforço, mas a partir do trabalho do outro.
Há quem saiba de autores que não escrevem as obras, apenas assinam. E para mim não importa o quanto pagaram a quem escreveu, isso não é coisa que se faça.
No ano passado, uma mãe ficou chorando migalhas para eu dar descontos em aulas particulares para sua filha, matriculada em um grande e caro colégio de um bairro nobre. Desconfiei que havia alguma coisa errada e não fui no discurso daquela mulher. Acabei não dando as aulas porque não quis alterar o preço de meu trabalho. Pouco tempo depois, esta mesma mãe me telefonou oferecendo dinheiro para que eu fizesse um trabalho escolar de sua filha. E nesta hora, "preço não importava".
Há falta de ética nas relações entre pessoas e nas relações das pessoas com o mundo. Desperdícios de água, de materiais, de dinheiro são exemplos típicos do quanto pode chegar a insensibilidade com a situação de escassez em que está e para a qual caminha a humanidade.
Até posso entender que alguém gaste uma fortuna comprando uma televisão enorme, um aparelho de som, qualquer outra tralha cibernética, e mais utilmente em tecnologias de saúde.
Agora utilizar o discurso de que é certo que cada um gaste o dinheiro que tem da maneira que mais lhe apraz pelo motivo de que é de legítima propriedade, ah, isso sinto muito não cai na minha lógica.
Porque digamos hipoteticamente que o mesmo indivíduo que gaste uma fortuna no bingo (para se divertir perdendo dinheiro, e isso é algo que me desafia o entendimento) muitas vezes pode estar regulando o quanto vai dispender na própria formação, se vale a pena colocar a mão no bolso. Pode achar que um salário mínimo é suficiente para seu funcionário porque o justo é o acertado.
Enfim, quantas professoras não reclamam que os alunos não demonstram mais o respeito sincero? Tem gente que afirma por que a escola precisa se adequar mais às novas tecnologias e aos novos tempo. Acredito que o fator exemplo do que se vivencia em casa conta muito mais do que qualquer outro.
Nada como aliar os seus interesses e as suas ambições não somente pelo seu bem e da sua família, mas também às necessidades do mundo. Porque quando a gente passa a adotar atitudes, posturas e pensamentos de modo a beneficiar a gente e outras pessoas e a natureza, mesmo que seja uma pequena contribuição, vive-se com leveza, com consciência, com lucidez, com o coração leve e mais feliz.
E plantamos amigos que são anjos nas horas que precisamos, e melhoramos nossa saúde e nosso bem estar.
Enfim, há muitos benefícios de se adotar uma escolha ética a favor de todos nós.
A plantação de paz tem que ser todo dia.

domingo, janeiro 14, 2007

Eu não vejo a hora de te dizer aquilo tudo que eu decorei


Feliz ano novo, pessoal!
Não tenho escrito não por falta de vontade, mas falta de instrumentos mesmo.

Em breve eu volto, tá?

(não estou viajando, não, hehehehehe. Esta foto é do começo de 2006, na represa de Avaré).

sexta-feira, dezembro 29, 2006

domingo, dezembro 24, 2006

Noite feliz... Noite de paz...


Tá bom!... Tá bom!...
Eu também sou pega pelo espírito natalino e fico toda cheia de amor (deve ser por causa das sobremesas de chocolate que a gente fica fazendo, planejando ou adivinhando durante o dia).
De qualquer forma, meus amigos, meus leitores, meus companheiros de leituras e escritas, tenham uma noite muito feliz que prenuncie um ano muito feliz.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Ê, São Paulo! São Paulo da garoa...


Antes de ontem deu uma tempestade e eu estava presa no trânsito da Av. Brasil.
Nota: região nobre da cidade.
E além do congestionamento infernal e do mundo vindo abaixo, todos os faróis estavam fora do ar.
Então imaginem que confusão!
E sabem quantos guardinhas estavam lá a postos, dando uma organizada no trânsito? Nenhum!
Quando deu uma hora que já estávamos na Brasil, sem parar de chover, assim que entramos na República do Líbano (continuamos em região nobre...), vimos um guarda, coitado, sem capa de chuva, todo ensopado, no meio da chuva, apitando uma esquina.
Deu uma dó! Agora vai me dizer que São Paulo, uma cidade monstro como é, que arrecada sei lá quanto de impostos, não tem estrutura para dar conta de umas ruas sem farol? Reúne um grupo para multar para ver se não aparece um monte de gente! E não pode nem ao menos fornecer um uniforme decente?? Como que um guarda se apresenta desta forma, desprotegido de algo tão básico como chuva?
E viva São Paulo.
Não sei porque garoa, mas tudo bem. Vamos refazer a música:
"ê, São Paulo, viu? São Paulo da calamidade..."

terça-feira, dezembro 19, 2006

Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel


Há um lado meio triste do Natal: as "falsas" comemorações. Pessoas que passaram o ano inteiro correndo atrás do rabo da outra se reúnem para "confraternizar".
Há de se concordar que é necessário buscar uma realização profissional. Só que ela se enrosca às vezes na conta de ser ou de se transformar em alguém sem sentido nem sensibilidade para com as dores do outro. Ser cínico, ser traiçoeiro, ser duas caras, ser demagogo, levar vantagens em cima do trabalho dos outros, ser estressado e sem paciência, exigir de si e dos outros uma dita "excelência" de qualidade que muitas vezes é um disfarce para se assumir encargos de um departamento sobrecarregado, com poucos funcionários e nenhum subsídio. Tudo isso faz parte do ser corporativo. Palestras de motivação impulsionam as pessoas a superar limites de si mesmas, o que muitas vezes acontece de verdade: e extrapolar limites não é bom para ninguém a não ser para o lucro. E de que adianta ser um excelente profissional sem ser uma excelente pessoa? Dar conta de resolver grandes desafios na empresa e não conseguir dar conta dos problemas dentro de casa?
Sem contar algumas reuniões de famílias muito hipócritas. Pessoas que não querem que outras pessoas do mesmo sangue (ou não) percam a originalidade, a vez, a voz, a vontade e opiniões próprias que "têm" que se vestir de acordo com a ocasião, essas pessoas se reúnem e sentem que estão cumprindo um protocolo a favor da felicidade ou pelo menos "da coisa certa a fazer".
Basta rodarmos um pouco a cadeira no sentido horário (ou não) para reconhecermos todos estes aspectos de que falei.
Mas cá para nós, nesta vida louca, nesta época em que o tempo não pára e não dá chances, neste contexto em que só trabalhamos o dia todo, sem conseguir olhar para os lados, o Natal não é uma oportunidade de parar e falar com os amigos, ver aqueles quem a gente gosta, mandar uma mensagem, dizer que se ama??
Quantas vezes no dia fazemos isso?
Não, tem coisas que só fazemos porque este período de festas nos chama a fazer.
Deveríamos sempre convidar as pessoas que amamos para nossas casas, desencanar das nossas obrigações e ouvir o que os outros têm a dizer, respirar aliviado e comemorar cada uma de nossas pequenas vitórias a cada imenso desafio que nos aparece sem parar.
Sim, é um erro o natal. É um erro que só paremos para olhar para os outros porque uma convenção nos diz. Mas é um erro que cometemos todos os dias. Não adianta culpar o de fora se na verdade vivemos e seguimos ideais loucos e transtornados pela sobrevivência financeira.
Mas melhor com ele do que sem ele.
Se não fosse pelo natal, nunca faríamos o que devemos fazer no natal.
Viveríamos aplicados a bater os pregos eternos da linha de trem que não nos leva a lugar nenhum.

Feliz Natal, pessoal!!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Ando tão à flor da pele


Tem dia que se parece um sonho que se realiza. A gente acorda, o dia está lindo, o sol está a pino, está bem quente, e portanto o humor está em alta.
E parece que as coisas que a gente não dá conta de fazer (porque todo dia tem uma lista de atividades que não terminamos de cumprir) não está grudada na porta riscada de vermelho. Ela sem querer caiu embaixo da geladeira.

Ontem por exemplo assim que acordei fiz uma torta salgada, fiz um bolo, dividi uma coalhada seca e temperei em diferentes patês, limpei a casa, enfeitei-a com adereços de natal, coloquei uma toalha de mesa natalina e trouxe algumas flores do jardim.
Tudo para esperar um amigo meu que vinha me visitar.
Eu tinha comprado para ele um conjunto de lápis, um adesivo grande e colorido, um bonequinho amarelo desses de corda que ficam pulando. Embrulhei em papéis coloridos.
E quando ele chegou, fiquei tão feliz! Ficamos conversando até de madrugada, enchemos bexigas, comemos, fizemos caipirinha. Ele me deu um rolo de macarrão, dois copos de vinho, um pote decorado.
Ai, que saudades do meu amigo!! É tão bom vê-lo, mesmo que seja assim, por poucas vezes que a vida é tão corrida...
E para terminar a noite, eu e meu marido após levá-lo de volta para casa ainda fomos tomar um café delicioso.
Alimenta a alma ter momentos tão bons quanto estes que passei ontem!

sábado, dezembro 16, 2006

Linda garota de Berlim

Outro dia, visitando um blog (http://garibada.blogspot.com/2006/10/indstria-da-beleza.html), lendo um post chamado "Indústria da Beleza", assisti a um vídeo do youtube muito curioso. Neste link vocês mesmos podem conferir. Recomendo também que vocês dêem uma espiada no restante do blog, tudo é bem interessante e criativo.

Sei que o que vou falar não é novo, mas não dá uma vontade de dizer o que se tem para dizer?
É que eu estava pensando como é ruim se tornar uma coisa que não é, e ainda por cima para tentar ser uma pessoa igualzinha às outras. Tanto esforço para se tornar diferente indo de encontro a uma referência de beleza (muitas vezes falsa, diga-se de passagem), que ao invés de se tornar algo exclusivo, se vai de encontro a uma "uniformização".
Outro dia fui cumprimentar uma menina que tinha acabado de conhecer no dia anterior e a confundi com outras meninas que estavam por ali por perto. Mas a gafe não foi à toa: fiquei reparando que todas tinham o mesmo cabelo, o mesmo corpo, a mesma roupa, tudo tão parecido que até parecia um encontro de escoteiros. Putz, juro que não é maldade, eu mesma já pintei cabelo e o escambau, mas não é triste quando alguém tenta mudar tudo o que tem tendo em vista um outro modelo que não é o espelho?
Por acaso algum seio não excita o ser amado, e não se excita ao toque do ser amado?

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Mais louco é quem me diz e não é feliz!... Eu sou feliz...

Para quem está na onda do youtube, aqui vai o meu preferido:

http://www.youtube.com/watch?v=MVoLqL3YYl8
(ah, eu sei que dá para postar o vídeo direto, mas ainda não me cadastrei...)

NÃO SE PODE SER MAIS FELIZ é uma das versões do nome deste vídeo...

quinta-feira, dezembro 14, 2006

E vou gritar para todo mundo ouvir


Nossa, quando eu vi esta foto, lágrimas vieram aos meus olhos. Tá certo que não estou passando pela melhor semana do mundo e estou um pouco emotiva (demais).
Mas coincidentemente antes de ontem tive uma recordação muito bonita desta época.
Foi assim: eu estava no gramado do clube dos estudantes da Usp (estava com a carteirinha da piscina desatualizada e por isso fui tomar sol perto da pista de corrida), ao lado de algumas outras pessoas, com um biquíni que eu gostava muito, de repente apareceu um amigo meu, o Paulão, me convidando para jogar futebol. O melhor desta lembrança é que eu senti com muita nitidez como eu estava me sentindo naquele dia: eu estava muito feliz. Feliz mesmo. Estava um lindo dia de sol, eu tinha ido sozinha, mas nada triste, encontrei-me com uns amigos, e por acaso este também foi um dia muito bom no que diz respeito à minha performance esportiva: não perdi nenhum gol e ainda fiz umas defesas sensacionais. Um monte de gente ficou batendo palmas para mim.
Me fez lembrar de como eu era antes de tudo o que aconteceu depois. Tudo o que me aconteceu e me deixou muito triste. Tudo o que aconteceu e tirou de mim muito de minha vitalidade. Tudo o que me deixou só, desamparada, com dor, com lágrimas, com o peito tão carregado que por um tempo eu nem sabia direito quem eu era. Um período de muita luta. De doença, mas de muita resistência, de muitas tentativas, de muita busca. De muita frustração também. Mas nunca de desistência. Eu nunca desisti.
Não passei por apuros de risco de vida. Não tive nada extremo como câncer.
Mas a escuridão foi grande. Uma escuridão que desandou minha carreira. Que me desafiou a querer voltar a ser uma pessoa normal. Que me desafiou o orgulho: como eu, uma pessoa tão cheia de vida, poderia estar tão submetida a algo que me limitava tanto e me machucava tanto.
Mas uma surpresa para mim: a vida não tem um filtro seletivo lógico para levar sofrimento para as pessoas. Não tem ninguém imune. Não tem ninguém com cartão de isenção. Qualquer coisa pode acontecer a qualquer um.
Não somos melhores que ninguém nesta vida.
Ninguém é.
Mas eu tenho uma surpresa para vocês. Uma surpresa para a vida também. Eu superei o que havia de ser superado.
Eu me curei fisicamente.
E estou descobrindo que há um caminho para a cura emocional também. Porque parece que as cicatrizes invisíveis ardem mais que as que ficam marcadas no corpo. Atrapalham mais. Nebulam mais. E a gente não consegue seguir em frente até que tudo esteja bem.
Foi muito importante para mim esta lembrança tão viva da época em que nada tinha acontecido ainda. Me fez perceber como eu era antes, e como se acumularam as conseqüências de tudo o que eu passei.
Não sei se é algo que eu tenha que resgatar, ou que tenha que reconstruir, ou que tenha que criar do novo.
Mas agora tenho certeza de como quero me sentir.
Eu quero tirar de dentro de mim a pessoa que eu sou, a pessoa sorridente e calma e segura que sou.
A pessoa que é tão capaz de amar que compreende até quem me magoa, que age com violência, com ou sem intenção. A pessoa que sou que é tão forte que é capaz de superar tudo, tudo, tudo.
Estão vendo o sorriso da foto?
É este que vocês vão ver estampado em mim. Um sorriso bonito, cheio do que tem que ter um sorriso.
Ai, o que seria de mim sem meus amigos e sem as pessoas que me apóiam o tempo inteiro?

sábado, dezembro 09, 2006

É pau, é pedra, é o fim do caminho

Outro dia passei por uma experiência muito desagradável no metrô.
Eram umas oito da noite, estava indo ver a peça de teatro de um amigo na Liberdade.
Na estação Paraíso, onde faríamos a baldeação, nos deparamos com uma enxurrada de gente que não acabava mais. Mas tanta gente que o metrô mal conseguia fechar as portas, e todas as pessoas ficavam espremidas e sem ação.
Uma vez eu fiquei neste estado dentro do metrô sem me mexer e sequer consegui descer na estação que precisava. Isso só me foi possível umas duas ou três estações depois.
Olha, eu sinceramente não sei como é que as pessoas conseguem aguentar este trampo todos os dias.
Porque todo esse povo não estava na rua pelo mesmo motivo que eu: a maior parte estava apenas voltando do trabalho para casa. E repetem este percurso todos os dias.
O funcionário do metrô anunciava no microfone: "por favor, não cause atrasos, não impeça o fechamento das portas". Este aviso seria coerente se não fosse o detalhe que isso era praticamente impossível. Porque a situação era tão difícil que nem metade das pessoas que estavam na fila conseguiam entrar. Imagine se é praticável que todos tomem cuidado numa cilada dessas. Ah, cada vez que o funcionário se pronunciava meu sangue fervia. O que ele era, afinal, cego? Não estava vendo o sufoco que nós estávamos passando? E ainda vem culpar o atraso dos cidadãos e não do próprio sistema de transporte? Como dar bronca? Ele deveria estar pedindo desculpas de cinco em cinco minutos, e não enchendo o saco.
Uma hora entre a casa e o trabalho ou o estudo é sorte. Duas é o usual. Três é um absurdo. Mas há ainda aqueles que demoram mais de três horas. E não por causa da distância, mas por causa da ineficiência dos transportes e da desestrutura da cidade para suportar tanta gente e tanto carro.
Duas horas para ir, duas para voltar, são quatro horas do dia. 20 horas da semana. 80 horas no mês. Tempo de vida das pessoas que se escoem nas ruas e nos bancos dos metrôs, dos trens, dos ônibus e até dos assentos dos carros.
Cruz credo!!!

Como o povo brasileiro consegue ser assim tão passivo?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Hollywood é logo ali bem perto!

Este é o meu post número 100.
Queria que fosse muito especial.
Já é a centésima vez que escrevo para este blog e ando muito satisfeita com isso.
Porque é bom ter um lugar para brincar, para divulgar o que a gente pensa, para trocar idéias, para saber das experiências dos outros.
É muito divertido ficar trocando comentários com meus amigos.
A gente vê umas idéias geniais em blogs. Com vídeos e tudo.
Minha homenagem aos meus amigos, blogueiros ou não! que são a minha família. Quer alguma coisa mais especial do que os amigos que a gente tem na vida?
Bom, é um post curto.
De marcar presença. De mostrar contentamento.
Post que sorri mansamente, no canto dos lábios.
Mas com o peito aquecido.

Uma plantação de bambus, todos batendo suavemente uns nos outros, produzindo um adorável sussurro.
À beira do mar, com mansas ondas cristalinas. O vento coopera nesta paisagem: e chama-se brisa.
Córrego também, por que não? Que corta a fazenda. Às margens, lírios perfumados que lançam às vezes na corrente da água uma ou outra folha.
Apenas um gramado. Que se estende para todos os lados.
Ouvindo os cantares das cigarras, de olhos fechados. O cheiro da terra molhada.
À sombra de uma árvore imensa, de folhas largas, de tronco confortável.

domingo, dezembro 03, 2006

Rock-nd-roll meio non sense

No fast-food.

"Você tem que se alimentar melhor!" (Como se estar ali no fast-food dependesse completamente da criança e não da mãe que a tinha levado até lá).
"Não vê que está gorda? Nessa idade e já precisa fazer regime... não se toca, não?" (Ai, ai... tem mãe que não percebe que é um bombardear de traumas para cima do filho... ou da filha, neste caso. E é lógico que a mãe nem se enxerga, né, porque sinto muito está uma balofa. E não deve fazer ginástica também. E se bobear, ainda fuma - mas isso eu já estou presumindo).
"Eu, por exemplo, hoje só comi uma salada!"
Então vem alguns segundos de silêncio. Um silêncio de respeito, afinal, ela está se esforçando para dar o exemplo.
"... e uma lingüiça!"

Aí eu não aguentei, cai na gargalhada.
Ah, deu para disfarçar, fingi que tinha contado algo muito engraçado e em seguida contei o que eu realmente tinha acabado de ver e ouvir.
Tem piada que vem pronta mesmo.
E é tão absurda que nem parece verdade.

Olha, eu não sou por esta via de interpretação de beleza, quanto mais esquelética melhor.
Adoro meu marido fofinho (mas nem tanto, né? - mas que ele fica liiiiindo mais cheinho, fica mesmo).
E acho lindas umas meninas gordinhas que conheço. É uma pena que às vezes elas não se gostem tanto, porque acabam desperdiçando o potencial sensual que têm. Mas, enfim, ser um esqueleto ambulante eu não acho muito legal.
Para mim, a libido está relacionada ao cuidar de si, de se curtir pra caramba, de ousar no visual, enfim, de ser e de se apresentar uma pessoa bonita.
Sim, a beleza interior ajuda, mas não é só ela que manda, não. Tem que estar usufruindo dos cabelos que tem, do rosto que tem, do corpo que tem. Nas suas medidas, sejam elas quais forem.
Mas neste caso desta mulher louca do fast-food, poupe-me.
Vai ser sem noção assim lá na p.q.p.

sábado, dezembro 02, 2006

Eu estava aqui o tempo todo


Tem cenas que a gente vê e nem acredita que é verdade.

A mulher põe o cachorro no colo.
"Ele está cheio de pulgas! Ele está cheio de pulgas! Mas eu não tô encontrando..."
E vai espremendo a barriguinha branca e rosa do cachorrinho, que se contorce para cá e para lá, levando as patinhas para esquerda e direita tentando se defender o máximo.
E espremeu tanto a barriguinha de um jeito tão indelicado que por fim o cachorro naturalmente se virou e mordeu a mão da mulher.
O cachorro foi para o chão de uma vez.
"Seu idiota! Seu idiota! Estou te ajudando e você não reconhece! Retardado! Não vê que tô te ajudando?"
E o cachorro sai pela porta aliviado.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Eu queria tanto te dizer aquilo tudo que eu decorei

Quando a gente menos espera, passou o ano. Chega dezembro para dar risada da nossa cara.
E tudo o que a gente tinha planejado é capturado pelo tempo e sem mais nem menos o pedido do resgate não vem.
Então começa aquele papo todo de mais um ano, mais uma chance. Acho que é só mais um rapto.
O bom é que a gente aprende a dar risada das próprias tristezas e inventa algumas saídas para ao menos se sentir aliviado ou satisfeito ou ainda muito feliz em pelo menos parte da nossa vida.
E vem alguns sinais de que o tempo está agindo no corpo, na mente, nas pessoas, na família, na nossa dinâmica. Bons sinais.
Estamos cumprindo um legado da humanidade: sobrevivemos.
Agitemos os músculos, estimulemos o pensamento.
Respiremos.
Como um náufrago que mira a mesma praia com os olhos sujos e que não sabe o que o mar lhe vai trazer.
De qualquer maneira, surpreendemo-nos o tempo inteiro. E talvez nas coisas mais simples encontremos grandes signos, grandes significados para a nossa vã existência.